A mensagem do executivo da cidade autónoma, divulgada através da rede social X, vem acompanhada de um cartaz com as mensagens: "Ceuta somos todos, não à violência, sim à união" e "Ceuta acima de tudo".
Além disso, na parte inferior da imagem podem-se ver as palavras "União", "Respeito", "Convivência" e "Futuro".
"Uma cidade, um sentido, um compromisso", lê-se na última linha da fotografia.
Esta mensagem foi publicada depois de, durante a tarde de quinta-feira, grupos de manifestantes terem bloqueado a passagem a um camião de ajuda humanitária da Cruz Vermelha e terem queimado algumas tendas do acampamento de migrantes ilegais que entraram na cidade no passado dia 30 de julho.
A ministra da Saúde do governo socialista, Mónica García, destacou, numa mensagem na rede social X, que a Cruz Vermelha está "a fazer um trabalho espetacular no aspeto humanitário e sanitário".
A governante também manifestou todo o seu "reconhecimento e apoio perante aqueles que os criticam, incluindo as críticas veladas".
A secretária-geral do partido Podemos (esquerda radical), Ione Belarra, disse estar "convencida" de que a maioria dos espanhóis "não é assim, nem em Ceuta, nem na península".
"Algo muito profundo se quebrou na nossa sociedade se se impede a Cruz Vermelha de distribuir comida a pessoas que não têm nada", publicou Belarra no X.
"Essa maioria tem de levantar a voz", concluiu.
Irene Montero, eurodeputada do mesmo partido, defendeu que "não há justificação possível para impedir a passagem de comida, água, mantas e ajuda humanitária", nem para "queimar um acampamento onde vivem miseravelmente pessoas que precisam de ajuda".
"Mas em que momento deixámos que nos transformassem nisto? Queremos mesmo um mundo onde isto é aceitável e a quem não concorda chamamos de gente má, comunistas, idealistas, ingénuos? Por mais difícil que seja a situação e por mais desastrada que seja a ação do Governo, se algo disto acontecesse aos seus filhos, eles matariam", continuou Montero, acabando por pedir que os espanhóis não se tornem "uma merda de pessoas".
O coordenador federal da Izquierda Unida, Antonio Maíllo, também destacou, no X, que "Ceuta precisa de soluções e certezas, não de violência e crispação que os radicais e a direita alimentam".
Os protestos, que já duram há vários dias, ocorrem após o Governo finalmente concretizar esta semana a nomeação de um comando único para coordenar a resposta à crise, uma reivindicação que a cidade autónoma já tinha colocado desde início da crise.
Na terça-feira, foi conhecida a intenção do Executivo de habilitar locais para concentrar temporariamente os migrantes que permanecem na via pública, facilitar a sua identificação e realizar a triagem correspondente, como passo prévio para determinar a situação individual de cada um e ativar, quando for o caso, os procedimentos de retorno ou expulsão previstos pela legislação.
Ceuta, um pequeno território de cerca de 83.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com outro enclave espanhol, a cidade de Melilla.
No último dia de julho, em apenas 24 horas, cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola.
Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Quase um mês depois, continuam a não existir dados exatos sobre o número dos migrantes que ainda permanecem em Ceuta, com algumas estimativas a apontaram até 8.000 ilegais.