Governo de SP reduz tempo de diminuição da pressão da água mesmo com Cantareira no 2º pior nível em 10 anos | G1

A medida foi deliberada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) nesta sexta-feira (31), após recomendação do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, formado pela Arsesp e pela SP Águas. A mudança começa a valer 48 horas após a publicação da deliberação.

Com a alteração, a chamada Gestão de Demanda Noturna (GDN) passará a ocorrer das 22h às 6h, a partir de agosto. Atualmente, a redução da pressão é feita durante dez horas por dia.

Segundo o governo estadual, a decisão foi tomada após a mudança da faixa 3 para a faixa 2 na curva de contingência do Sistema Cantareira, prevista na metodologia de gestão hídrica adotada pelo estado.

De acordo com o governo, chuvas e afluências acima do previsto contribuíram para a melhora das condições do sistema. O volume armazenado ficou 2,69% acima do projetado.

Na semana entre 20 e 26 de julho, foram registrados 31,6 milímetros de chuva na região do Cantareira, volume 177% superior ao previsto pelos modelos meteorológicos.

Em Extrema (MG), na bacia do rio Jaguari, uma das principais áreas de contribuição para o Sistema Cantareira, foram registrados 61,2 milímetros de chuva na penúltima semana de julho, o equivalente a 144,3% da média climatológica do mês para o sistema.

Em junho, o acumulado de chuvas foi de 103,2 milímetros, quase o dobro do registrado em maio, quando choveu 53,5 milímetros. Com isso, o volume útil observado chegou a 39,9%, acima da projeção de 37,8%.

Apesar da melhora em relação às projeções, o Sistema Cantareira opera atualmente com 36,7% da capacidade. O índice é o segundo pior para o período nos últimos dez anos. Em 2022, o volume armazenado era de 36,3%.

Segundo o governo, outro fator que contribuiu para a mudança foi a Gestão de Demanda Noturna, iniciada em agosto de 2025. Pelos cálculos da administração estadual, a medida já proporcionou economia de 183 bilhões de litros de água.

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que o aumento das chuvas refletiu principalmente na água que chega aos reservatórios, mas ressaltou que a situação ainda não é confortável.

"Choveu mais que o esperado, e isso apareceu principalmente nas afluências — na água que chega aos reservatórios. Mas é importante dizer: continuamos com acumulados baixos na série histórica. O volume útil de hoje não está acima da média histórica; ele está 2,67% acima do que projetávamos para julho. Ou seja, a reservação respondeu positivamente e estamos rodando acima da curva projetada para o período", afirmou.

A secretária também reforçou a necessidade de manter o consumo consciente de água.

"Estamos cumprindo o previsto na metodologia, buscando sempre o melhor equilíbrio entre a preservação dos reservatórios e a garantia do menor impacto possível para a população. Mas é fundamental que todos compreendam que São Paulo vive uma situação crônica de escassez e que o uso consciente precisa fazer parte da rotina diária em todos os períodos, seja no chuvoso ou no seco", disse.

O governo destacou que a mudança de faixa na metodologia estadual não altera a operação do Sistema Cantareira definida pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pela SP Águas. Nesse modelo, o sistema permanece na Faixa 3 – Alerta, o que permite à Sabesp retirar até 27 metros cúbicos de água por segundo do Cantareira.

Cantareira não chega a metade do volume com chuvas do verão — Foto: Arte/g1