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O Departamento do Tesouro americano se recusou a credenciar vários jornalistas de grandes veículos de comunicação para cobrir a reunião de ministros do G20, que será sediada na Carolina do Norte nesta semana. Várias organizações de imprensa afirmaram, no domingo 30, terem sido afetadas e cobraram respostas do governo do presidente Donald Trump.
Os Estados Unidos ocupam a presidência rotativa do G20 este ano e o Departamento do Tesouro é responsável pelo acesso aos encontros, que reunirão entre esta segunda-feira, 31, e terça-feira, dia 1º de setembro, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais das principais economias do planeta. A cúpula com os chefes de Estado será realizada em dezembro, no clube de golfe de Trump em Doral, na Flórida.
Porém, em uma medida incomum, jornalistas dos jornais The New York Times, The Wall Street Journal e da agência de notícias Bloomberg News não foram credenciados.
‘Ataque à liberdade de imprensa’
A Bloomberg afirmou no domingo que seus repórteres nos Estados Unidos, na França, na Itália, no Japão e na China não tiveram acesso, e que o Tesouro não explicou o motivo da rejeição de vários pedidos de credenciamento. Bloquear a entrada na reunião “mina a liberdade de imprensa e a responsabilidade pública”, disse um porta-voz da agência.
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O New York Times informou no sábado que seu repórter de política econômica foi excluído — Alan Rappeport, que cobre essas reuniões e o Departamento do Tesouro desde 2017 –, mas o chefe do escritório em Berlim foi credenciado. Um porta-voz do jornal disse que a recusa “não é apenas mais um esforço perturbador do governo de atacar o jornalismo independente, mas uma tentativa descarada de evitar o escrutínio público”.
“Com a guerra no Irã, sanções, mercados de títulos e inflação na pauta dos ministros das Finanças do G20, a importância deste encontro é significativa para a economia global e para o povo americano”, acrescentou o comunicado. “Excluir repórteres específicos e organizações de notícias inteiras é um desserviço ao público e um ataque à liberdade de imprensa que condenamos veementemente.”
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O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anfitrião da cúpula, disse à agência de notícias The Associated Press que a medida “não tem nada a ver com ponto de vista”. Um porta-voz do departamento do Tesouro declarou em entrevista à agência de notícias AFP, sob condição de anonimato, que a cobertura não deveria priorizar “cliques, interações ou o sensacionalismo”, mas negou restrições significativas, afirmando que o encontro do G20 teria a presença de quase 300 representantes da imprensa de mais de 10 países.
Ataques à imprensa
As tensões entre jornalistas e o segundo governo Trump vêm aumentando, manifestando-se tanto na esfera pública quanto, por vezes, nos tribunais.
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Por exemplo, o Departamento de Defesa americano declarou, no início deste ano, que sua assessoria de imprensa havia se tornado uma área restrita e inacessível a jornalistas. A medida ocorreu depois que o Pentágono exigiu que repórteres aceitassem restrições impostas pelo governo ao seu trabalho, levando a maioria dos veículos de comunicação a abandonar o prédio no outono passado.
A Associated Press também processou Trump para retomar o acesso ao grupo de imprensa da Casa Branca. A agência de notícias foi restrita do chamado press poil porque manteve o nome “Golfo do México” para referir-se à bacia oceânica na América do Norte, após o governo Trump ordenar que a região fosse rebatizada como “Golfo da América”.
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