Governo Trump redistribui cota de açúcar do Brasil - 23/09/2026 - Agro - C-Level

Brasília

O governo Donald Trump redistribuiu a outros países, nesta quarta-feira (23), uma cota de cerca de 56 mil toneladas de açúcar brasileiro que podia entrar nos Estados Unidos em condições mais vantajosas.

Com isso, os EUA confirmaram que o Brasil poderá exportar, no próximo ano fiscal, 100 mil toneladas de açúcar bruto dentro dessa cota, uma queda de 35,9% em relação ao período anterior.

Os EUA abrem anualmente uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, com base em compromissos assumidos junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). O que entra no país dentro desse montante paga uma tarifa reduzida, enquanto o que fica de fora é afetado por uma barreira de aproximadamente US$ 340 por tonelada.

Homem de cabelos loiros veste terno azul escuro, camisa branca e gravata vermelha, com broche da bandeira dos EUA na lapela. Ao fundo, bandeira dos Estados Unidos desfocada e painel azul com símbolos e texto indistintos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Chip Somodevilla/Getty Images via AFP

Em julho, a gestão Trump havia anunciado os valores para o ano fiscal de 2027, com previsão de um corte de quase 56 mil toneladas sobre o valor antes destinado aos produtores brasileiros. Em agosto, a Folha mostrou que um alto funcionário de Washington condicionou a devolução dessa cota a "propostas comerciais satisfatórias".

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Nesta quarta, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) anunciou os países que serão beneficiados pelos valores antes destinados ao Brasil.

A principal parcela foi alocada para a República Dominicana: 11.931 toneladas. Logo em seguida na tabela estão as Filipinas, com 9.151 toneladas.

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As novas cotas tarifárias americanas vigorarão a partir de outubro, com duração de um ano.

No ano passado, o Brasil exportou 292,4 mil toneladas de açúcar bruto para os EUA, de acordo com dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia).

A cota é preenchida por produtores do Nordeste, enquanto o volume exportado acima dela é fornecido principalmente pelo Sudeste, onde a colheita é mais mecanizada.

Se a tarifa aplicada às exportações fora da cota já dificultava o acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano, a situação ficou ainda pior com os sucessivos tarifaços impostos por Trump ao Brasil.

Além dos US$ 340 por tonelada, o produto que entrar no mercado americano fora da cota estará sujeito ainda a sobretaxas cumulativas de 37,5%, aplicadas com base em duas investigações comerciais conduzidas pelo USTR.

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O que está dentro da cota, por sua vez, vai pagar tarifa extra de 25%, referente a uma das apurações do USTR.