A Graphcoa vê Estados Unidos, Europa e o mercado brasileiro como destinos prioritários para sua produção de grafite, em meio à reorganização global das cadeias de minerais críticos e à tentativa de reduzir a dependência da China em insumos usados em baterias.
A avaliação foi feita por Ricardo Alves, diretor-executivo da Graphcoa, em entrevista ao Mapa da Mina desta semana.
“Olhar para os EUA, para a Europa e para o nosso mercado interno é uma questão de pragmatismo. É onde a nova demanda por grafite pode acontecer”, afirmou.
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A China domina a cadeia global do grafite, tanto na produção quanto, principalmente, nas etapas de processamento necessárias para transformar o mineral em insumo usado em baterias. Segundo Alves, esse cenário torna mais difícil uma estratégia voltada ao mercado chinês e faz do Ocidente um parceiro natural para projetos brasileiros.
O executivo afirmou que a produção de concentrado de grafite no Brasil já abre espaço para uma etapa maior de verticalização. O próximo passo, porém, exige a instalação de fases mais sofisticadas da cadeia, como purificação, esferonização e revestimento, processos necessários para transformar o grafite em material de anodo para baterias.
Segundo Alves, para que essa etapa avance no país, será necessário atrair também parte da cadeia de baterias para o Brasil.
Sobre o projeto Jordânia, em Minas Gerais, considerado o principal salto de escala da Graphcoa no país, Alves afirmou que a empresa espera obter as licenças prévia e de instalação até o fim deste ano.
“É um licenciamento bifásico. Esperamos a licença prévia e a licença de instalação até o final deste ano, para avançar com o processo de decisão de investimento no segundo trimestre de 2027”, afirmou.
O projeto é visto pela companhia como peça central para ampliar a produção de grafite no Brasil e posicionar o país em uma cadeia hoje altamente concentrada na Ásia.
Falando pela AMC (Associação dos Mineiros Críticos), o executivo também afirmou que a regulamentação do conselho de minerais críticos precisa trazer critérios objetivos para definir quais projetos devem ser analisados pelo governo.
Segundo ele, a entidade defende regras claras para evitar que o conselho vire uma camada adicional de burocracia ou gere insegurança para investidores.