Três homens foram presos nesta terça-feira (1º) em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, suspeitos de integrar um grupo armado que invadiu um condomínio de casas no bairro Outeiro das Pedras na madrugada de segunda-feira (31) para forçar moradores a contratar uma rede de internet clandestina.
Imagens do circuito de segurança mostraram cinco criminosos armados com fuzis arrombando os portões do condomínio por volta das 3h. Eles arrancaram fios de internet da portaria e atiraram contra câmeras e fiações do local. Um dos invasores chegou a ameaçar o porteiro, dizendo que quebraria tudo caso uma das provedoras legalizadas que atuam na região continuasse a oferecer o serviço.
O grupo age a mando de traficantes que atuam no bairro e usa a intimidação para obrigar moradores a aderir ao serviço clandestino oferecido pela facção, segundo a Polícia Militar. Um dos suspeitos teria se deslocado da Rocinha, na zona sul da capital, para participar da invasão.
Os criminosos chegaram ao condomínio em um Fiat Palio prata, apreendido nesta terça com um homem de 44 anos, apontado pela polícia como o sexto envolvido na ação e motorista do grupo. Ele foi preso. A polícia também deteve outros dois suspeitos na ação.
Após a invasão, moradores acionaram o 35º BPM (Itaboraí), e a corporação afirmou que reforçou o policiamento nas proximidades do condomínio. A perícia foi acionada para examinar o local. O caso foi registrado na 71ª DP (Itaboraí).
A Polícia Militar afirmou que "realiza diligências contínuas para desarticular a atuação de facções na região e desmantelar toda a estrutura criminosa envolvida na interrupção de internet e serviços essenciais na região", em nota enviada à reportagem.
Polícia Civil investiga esquema semelhante na Ilha do Governador
A Polícia Civil do Rio também realizou nesta terça-feira uma operação contra a exploração ilegal de internet na comunidade Boogie Woogie, na Ilha do Governador, zona norte da capital.
As investigações apontam que pequenos provedores legalizados foram cooptados pelo TCP (Terceiro Comando Puro) para controlar o serviço de internet na região desde 2022.
Em um dos endereços alvo da operação, agentes apreenderam uma "chave da barricada". Esse item abria uma cancela instalada pela facção para restringir o acesso ao local, segundo a polícia.
De acordo com a investigação, grandes operadoras de telecomunicações eram impedidas de atuar na comunidade. Técnicos teriam sido ameaçados e proibidos de entrar para fazer instalações, reparos e manutenção.
A corporação também apura cortes de cabos e danos a equipamentos das concessionárias. Sem o serviço legalizado em operação, a população era forçada a contratar os provedores cooptados, aponta a polícia.
Três suspeitos já foram identificados. Um deles teria a função de barrar a entrada de técnicos das concessionárias na comunidade.
A polícia apura ainda o caso de um condomínio da região supostamente pressionado a contratar uma dos provedores. Na ocasião, funcionários teriam ido ao local acompanhados de traficantes para fazer ameaças aos moradores.
O inquérito apura suspeitas de receptação, interrupção ou perturbação de serviço de telecomunicação, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública e associação criminosa.