A guerra está mesmo confirmada entre a UEFA e a FIFA. A imprensa britânica anuncia esta quinta-feira que todas as 55 nações pertencentes à UEFA vão avançar com o boicote aos Campeonatos do Mundo femininos e masculinos para ir contra a proposta de Gianni Infantino para vender os direitos comerciais destas competições, caso este seja confirmado no voto entre todas as 211 federações do mundo do futebol.
A notícia é avançada pela rádio britânica talkSPORT, que recebeu a informação de que o voto na reunião de emergência da UEFA foi feito de forma unânime entre todas as 55 nações.
Ainda assim, este 'golpe' será apenas aplicado caso este plano de Gianni Infantino, presidente da FIFA, venha mesmo a ser concretizado daqui para a frente, sendo que tem pouco apoio já que várias confederações já se pronunciaram contra a medida.
Esta questão tem relação direta com a Federação Portuguesa de Futebol (e não só), dado que é uma das nações que irão sediar o próximo Campeonato do Mundo de 2030, que se tudo for para a frente, irá acontecer sem nenhuma seleção dos quadros da UEFA.
De recordar ainda que a UEFA quer destituir Gianni Infantino já nas próximas eleições de março de 2027 e até já indicou um nome para suceder ao atual líder da FIFA. Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da organização dos Clubes Europeus de Futebol, é visto como o candidato ideal para retirar o dirigente suíço-italiano.
BREAKING: UEFA sources tell @talkSPORT all 55 Member Associations have decided to boycott the men's and women's World Cups in protest at Gianni Infantino's Fifa Forward Enterprise plans.
UEFA members agreed on an emergency call that began around 2pm today that they will not… pic.twitter.com/QL9Uv8uU93
— Ben Jacobs (@JacobsBen) July 30, 2026
Poucos momentos depois, a UEFA oficializou esta intenção de boicote aos planos da FIFA, com o voto a ser mesmo unânime entre as 55 Federações associadas ao organismo.
Statement on behalf of UEFA and its 55 National Associations
— UEFA (@UEFA) July 30, 2026
UEFA acredita que oposição a esta ideia será forte
O modelo de comercialização dos Mundiais proposto pela FIFA tem tido oposição significativa e crescente, afirmou hoje a UEFA, reiterando as críticas ao plano do organismo regulador do futebol mundial.
"Após conversas com diversas partes interessadas no futebol, a UEFA sabe que existe uma oposição significativa e crescente ao plano da FIFA", pode ler-se numa declaração publicada no sítio oficial da confederação europeia na Internet.
A UEFA, presidida pelo esloveno Aleksander Ceferin, reagiu pela segunda vez ao tema, um dia depois de avisado que o futebol "não está à venda", ao reagir à intenção da FIFA de angariar até 4,2 mil milhões de dólares com a venda de participações dos Campeonatos do Mundo a privados.
"A FIFA não pode continuar a usar o nosso desporto para enriquecer a si mesma e aos seus amigos. Podemos desenvolver o futebol de forma correta. É hora de priorizar as federações, os clubes, as ligas, os jogadores e os adeptos", acrescentou a UEFA.
A FIFA quer aumentar nos próximos anos o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol para mais de 10 mil milhões de dólares, através de uma nova estrutura comercial, cuja criação depende da aprovação da maioria do Conselho e das 211 federações-membro.
A proposta passa pela criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária integralmente detida pela FIFA e que reunirá os direitos comerciais da entidade liderada pelo ítalo-suíço Gianni Infantino.
A FIFA pretende captar até 4,2 mil milhões de dólares, ao vencer participações minoritárias a investidores privados, que não terão papel operacional na FFE, avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares.
A operação permitirá reforçar o programa FIFA Forward e vai aumentar o financiamento de desenvolvimento por federação dos atuais oito para 20 milhões de dólares no ciclo 2027-2030, de 22 milhões entre 2031 e 2034 e para 24 milhões de 2035 a 2038.
A FIFA assegura que vai manter o controlo exclusivo sobre a governação do futebol, as competições, o calendário internacional e todas as decisões regulamentares e desportivas, num plano revelado depois do Mundial2026, que foi coorganizado por Estados Unidos, México e Canadá e atingiu recordes de público e audiência na história do principal torneio de seleções.
O jornal britânico The Times avançou hoje que o presidente da FIFA deu um prazo de 53 dias às 211 federações-membro, entre as quais a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), para aceitarem o modelo, a troco de alguns milhões de euros.
"Hoje ficámos a saber do prazo estipulado pela FIFA para que as federações apoiem as suas propostas, sob pena de a oferta de pagamento único ser retirada. Isso diz tudo o que precisamos de saber sobre esse plano", concluiu a UEFA.
A Associação de Ligas Europeias (EL) também contestou o plano da FIFA, ao admitir que os investidores privados ficariam com "um direito permanente" sobre o futebol, pondo "em risco" os alicerces da modalidade.
"Os líderes responsáveis do futebol têm o dever de se unirem para se oporem a esta proposta, não só pelo futebol de hoje, mas também pelas futuras gerações de jogadores e adeptos, garantindo que deixamos um desporto saudável, sustentável e fiel aos valores que o transformaram no mais popular do mundo", transmitiu a entidade encabeçada pelo suíço Claudius Schäfer, após uma reunião da EL.
Para operacionalizar o projeto, a FIFA está a trabalhar com o banco J.P. Morgan, surgindo entre os potenciais investidores a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A administração norte-americana já terá sido consultada sobre o plano da FIFA, que tem originado preocupações e críticas no futebol, mas não só.
A UEFA defendeu que ninguém é proprietário da modalidade e que não compete à FIFA vendê-la, enquanto a CONCACAF (América do Norte, Central e Caraíbas) disse estar preocupada e a AFC (Ásia) pediu transparência, apesar de reconhecer a necessidade de novas abordagens.
Presidida pelo qatari Nasser Al-Khelaifi, líder do bicampeão europeu Paris Saint-Germain e membro do Comité Executivo da UEFA, a organização dos Clubes Europeus de Futebol (EFC) garantiu que não foi ouvida pela FIFA e indicou ter sido informada sem aviso prévio e através da imprensa.
No quadrante político, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, referiu que "o futebol não pertence aos investidores", o comissário europeu Glenn Micaleff lembrou que as propostas "levantam questões sobre a lei da concorrência" e os membros democratas da Câmara dos Representantes nos Estados Unidos visaram a promiscuidade entre Infantino e Trump.
[Notícia atualizada às 16h26]

UEFA quer afastar Infantino da FIFA e já escolheu candidato
Nasser Al-Khelaifi, dono do PSG e presidente da European Football Clubs (EFC), é visto por vários líderes europeus como o candidato certo para derrotar Infantino nas próximas eleições da FIFA, agendadas para março.
Francisco Amaral Santos | 11:56 - 30/07/2026