Guiné Conacri pede à França a restituição de objetos e restos mortais de figuras históricas que combateram a colonização francesa

por Lusa,    7 Agosto, 2026

Guiné Conacri pede à França a restituição de objetos e restos mortais de figuras históricas que combateram a colonização francesa
Bandeira da Guiné Conacri / DR

A Guiné Conacri reclamou à França a restituição de objetos pessoais e restos mortais de figuras históricas guineenses que combateram a colonização francesa no século XIX.

O Ministério da Cultura do país africano disse hoje à agência noticiosa France-Presse (AFP) que os pedidos de restituição foram apresentados em meados de julho ao Governo francês e dizem respeito a Almamy Samory Touré, que morreu em 1900 no Gabão, para onde tinha sido exilado pela França, e a Almamy Boubacar Biro Barry, último chefe do Estado teocrático muçulmano do Fouta-Djalon, morto em 1896.

Os pedidos surgem após a aprovação de recentes leis francesas destinadas a permitir a restituição a países africanos de obras saqueadas durante o período colonial.

Conacri pediu “o repatriamento dos manuscritos ou de quaisquer outros objetos que tenham pertencido a Almamy Samory Touré e dos restos mortais de Almamy Boubacar Biro Barry, morto e decapitado, e de três dos seus companheiros”, afirmou à AFP o diretor do Museu Nacional de Conacri, Amirou Conté.

Entre os objetos pessoais de Samory Touré reclamados à França estão manuscritos do líder militar e religioso, “um sabre, um toucado e um bubu [túnica]”, enumerou Conté.

“O Estado guineense empreenderá todas as diligências necessárias para obter a restituição dos restos mortais de Almamy Boubacar Biro Barry e dos seus companheiros, para que possam repousar dignamente na terra dos seus antepassados”, declarou o ministro guineense da Cultura, Moussa Moïse Sylla.

A França restituiu a Madagáscar, em setembro de 2025, três crânios de vítimas de atrocidades cometidas durante o período colonial.

Entre esses restos mortais, um é presumivelmente do rei Toera, decapitado pelo exército francês durante o massacre de Ambiky, em 1897, um episódio sangrento da colonização da ilha do oceano Índico, que conquistou a independência em 1960.

A 07 de maio, o parlamento francês aprovou uma lei destinada a facilitar a restituição de obras saqueadas durante o período colonial, reivindicadas há anos por países africanos, concretizando uma promessa feita pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, em Uagadugu, em 2017.

Desde então, as restituições têm sido raras: em 2020, 26 tesouros de Abomey foram devolvidos ao Benim, assim como o sabre de El Hadj Omar ao Senegal, e, em fevereiro, um “tambor falante” foi restituído à Costa do Marfim.


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