O produtor de cinema Harvey Weinstein foi condenado, esta quarta-feira, a 15 anos de prisão depois de ter sido acusado de agredir sexualmente uma assistente de produção. O caso remonta a 2006.
A condenação de Weinstein acontece depois de uma longa batalha judicial que durou cerca de seis anos. Note-se que a primeira condenação, em 2020, foi anulada.
A vítima, Miriam Haley, compareceu no tribunal esta quarta-feira e fez uma declaração onde falou sobre o assédio e a humilhação que sofreu nos últimos anos, notando ter sido difamada publicamente por Weinstein e pela equipa de defesa do produtor.
Miriam Haley apontou ainda que a sua experiência após a agressão "já foi uma sentença de prisão perpétua", tendo pedido ao juiz que tivesse isso em consideração.
Antes de proferir a sentença, o juiz afirmou que Harvey Weinstein não será apenas lembrado por produzir filmes, mas também por ser o rosto do movimento "#MeToo". Acrescentou também que o ex-produtor de cinema se aproveitou dos sonhos de Haley que queria trabalhar na indústria cinematográfica.
"Você tinha tudo. O seu legado poderia ter sido consolidado com grandeza, mas desperdiçou-o ao agredir Miriam Haley", disse o juiz.
A sentença, note-se, surge depois de anos de recursos e novos julgamentos sobre este caso.
De recordar que Harvey Weinstein tinha sido condenado em 2020 a 23 anos de prisão por vários crimes de violação e agressão sexual, ocorridos entre 2006 e 2013, envolvendo, entre outras pessoas, Miriam Haley e a atriz Jessica Mann.
A decisão foi considerada histórica para o movimento de denúncias de abusos sexuais na indústria de entretenimento, desencadeado em 2017 pelo New York Times e The New Yorker e que ficou conhecido como "#Metoo".
No entanto, em 2024, um tribunal superior de Nova Iorque anulou a condenação e ordenou um novo julgamento, por considerar que Harvey Weinstein – uma das figuras mais poderosas da indústria cinematográfica norte-americana – tinha sido prejudicado por testemunhos de outras mulheres cujas alegações não faziam parte do processo.
Em junho de 2025, foi novamente considerado culpado de agressão sexual contra Miriam Haley, mas absolvido de uma alegada agressão sexual semelhante contra uma modelo polaca, Kaja Sokola.
Harvey Weinstein, 74 anos, saliente-se, negou sempre as acusações que lhe foram imputadas, referindo ter tido relações sexuais consentidas, pediu desculpa "a quem quer que tenha causado dado" e disse que não era "um homem violento".
Sobre o caso relativo a Jessica Mann, os procuradores abandonaram o processo em junho passado, depois de a queixosa ter dito que não conseguia suportar testemunhar novamente.
Além deste processo em Nova Iorque, decorreu na Califórnia um processo judicial distinto contra Harvey Weinstein.
Um tribunal de recurso ordenou, em junho passado, que fosse reavaliada a pena de 16 anos de prisão que Weinstein está a cumprir pela violação da modelo e atriz Evgeniya Chernyshova, em Los Angeles, em 2013. O tribunal confirmou, no entanto, a sua culpa neste caso.
Tendo em conta a idade e a gravidade das penas a cumprir, quer sejam cumpridas simultaneamente ou consecutivamente, Harvey Weinstein deverá passar o resto dos seus dias na prisão.
[Notícia atualizada às 19h13]
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