O CEO do iFood (Android, iOS), Diego Barreto, afirmou que a companhia está atualmente com 270 modelos baseados em machine learning (ML) em produção. Durante a 27ª Conferência Anual Santander, nesta segunda-feira, 17, o executivo trouxe o tema ao afirmar que as empresas devem olhar não apenas para inteligência artificial generativa, mas também para machine learning.
A plataforma começou a trabalhar com ML ainda em 2018. No mesmo período, a companhia começou a montar o seu data lake, que é a fundação de seus trabalhos em IA.
Um exemplo de uso de data lake é que todas as reuniões do iFood são gravadas, adicionadas ao arcabouço de dados e podem ser acessadas pelos funcionários para entender o que foi discutido sobre determinado tema.
Ao Mobile Time, o CEO explicou que a solução foi feita por meio de uma skill no Toqan (plataforma corporativa de inteligência artificial generativa criada pela Prosus) e em seis meses obteve:
- 1 mil ocorrências em reunião;
- Consumo (horas gravadas) em 720 horas com 658 agendas distintas, sendo 194 recorrentes;
- Média de 18,5 participantes por reunião;
- A mediana de horas em reunião semanal caiu de 32,8 para 28,4.
Para Barreto, o fato de ter essa transparência muda a forma da hierarquia organizacional, uma vez que destrói silos, elimina gatekeepers e reduz o papel do líder de pedir relatórios aos seus analistas, já que ele próprio poderá puxar esses relatórios. Nesse papel, o CEO afirmou que o papel da liderança será muito mais “estudar” os temas, exercitar a curiosidade e se preparar para um novo cenário.
Nova liderança e o iFood
Uma dessas mudanças será a promoção de mais diálogo e debates dentro da companhia, em especial com o fato de que o executivo acredita que os funcionários vão falar cada vez menos, pois estarão mais interagidos em conversas com a IA e agentes – como acontece com a rede social.
Com isso, afirmou que as áreas mais ameaçadas são os profissionais seniores, pois os juniores vão continuar existindo, se adaptando e produzindo: “O que importa é o input”.
Também afirmou que, de forma geral, as empresas medem métricas (KPIs) erradas, uma vez que não devem medir o básico primeiro, como nível de clusterização, dados sistematizados e padronizados do data lake.
Barreto ainda demonstrou ser crítico ao vibe coding. Para ele dizer que esta tecnologia totalmente automatizada na gestão de sistemas complexos (com back-end, fallback e funcionamento autônomo) dificilmente pode ser gerada. Também criticou o “hype da narrativa” com pessoas acreditando em supostos especialistas com conteúdos superficiais que não conhecem o tema da IA. Reforçou que é necessário acompanhar fontes fidedignas, que abordam esse tema há anos e que estão bem conectados globalmente: “Passarinho que voa com morcego acorda de cabeça para baixo”, disse o CEO, ao citar um ditado usado por seu avô.
Vale lembrar que a Prosus, controladora do iFood, tem como foco no momento investir em IA em suas duas empresas de delivery, iFood e Just Eat Takeaway.
Imagem principal, da esquerda para direita.: Diego Barreto, iFood; Germanuela de Abreu, Santander; Adriana Aroulho, SAP; Rodolfo Eschenbach, Accenture (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)
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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA