IL diz que Luís Neves está a contaminar PJ

A presidente da Iniciativa Liberal (IL) considera que o silêncio do ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre o caso que o envolve está a “desgastar o Governo” e a “contaminar” a imagem da Polícia Judiciária (PJ). “Acho que o senhor ministro ainda não percebeu que os portugueses não estão nada tranquilos com esta situação“, afirmou Mariana Leitão, que reagia ao facto de Luís Neves se ter recusado novamente a prestar declarações sobre as polémicas que o envolvem.

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Segundo a presidente da IL, que falava aos jornalistas durante uma visita à Feira de Santiago, em Setúbal, cada dia que passa em que o ministro Luís Neves se mantém em silêncio “é mais um dia em que está a desgastar o Governo, está a desgastar-se a ele próprio, mas está também a pôr em causa outras instituições, nomeadamente a Polícia Judiciária“. A dirigente liberal reafirmou ainda que o ministro deve prestar esclarecimentos “não é no tempo que ele entende que é necessário, é no tempo mais rapidamente possível”.

Questionada sobre a forma como interpreta o silêncio do ministro, respondeu que o problema são “as consequências que esse silêncio está a ter”, que considerou “bastante nocivas”.

Confrontada com declarações da ministra da Justiça, que afirmou hoje que Luís Neves está a lidar com a situação “da melhor forma possível”, a líder da IL reafirmou que “a cada dia que passa, o silêncio [do ministro] tem estado a contaminar o Governo e a contaminar a Polícia Judiciária”, considerando que Rita Alarcão Júdice deveria ter consciência de que a credibilidade da PJ está a ser colocada em causa.

A polémica relacionada com o ministro da Administração Interna teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira a empresa Construbarcelos, anteriormente responsável por obras na PJ, quando Luís Neves era diretor nacional da instituição.

Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Na sexta-feira da semana passada, a Polícia Judiciária anunciou que abriu um inquérito sobre um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos. No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba'”.

Sobre o inquérito da PJ, a direção nacional desta polícia explicou, em comunicado, que “teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos”.

A IL apresentou na sexta-feira um requerimento para a realização de uma comissão permanente da Assembleia da República, com o objetivo de ouvir Luís Neves, considerando que não deverá existir oposição dos restantes partidos, uma vez que “todos falam na importância do escrutínio, na importância da transparência e na importância dos esclarecimentos”.

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