Incêndios em Espanha e França levam à retirada de mais de 160.000 pessoas das suas casas

Pedro Sánchez admite "situação dramática". Emmanuel Macron já mobilizou as forças armadas "para prestarem o máximo apoio à segurança civil"

Mais de 160.000 pessoas foram retiradas de suas casas desde quarta-feira em França e Espanha, onde incêndio perto de Madrid atingiu o "ponto mais intenso" e se revelou "impossível de extinguir" esta sexta-feira.

Um total de 63.000 pessoas foram retiradas de casa ou têm de permanecer em confinamento na região de Madrid, segundo o ministério espanhol do Interior, que ordenou a saída de 5.000 turistas do parque de campismo de El Escorial, a noroeste da capital espanhola.

Das 63.000 pessoas, pelo menos 25.000 foram efetivamente retiradas das suas casas, segundo as autoridades regionais. Trata-se do "pior incêndio da história" na região.

Mais de 1.200 idosos e pessoas com deficiência foram retirados na sexta-feira de instituições de cuidados e lares de idosos na região de Madrid devido aos incêndios, precisou, por seu lado, o governo regional.

Além disso, uma das três instalações da NASA que permitem as comunicações com o espaço distante foi atingida na sexta-feira por um incêndio em Espanha, sem que haja, por enquanto, uma estimativa dos danos.

A situação na região de Madrid pode ainda vir a agravar-se, uma vez que dois dos três incêndios que já devastaram 6.000 hectares a oeste de Madrid "fundiram-se", segundo as autoridades espanholas, que, até ao momento, não registaram qualquer morte.

"Estamos a viver uma situação dramática, não só em várias províncias espanholas, mas também em regiões de países vizinhos", alertou o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, na rede social X.

No sudoeste de França, residentes e turistas foram obrigados a fugir de barco do avanço das chamas na península francesa de Cap-Ferret, muito procurada pelos turistas. Na mesma região, um incêndio atingiu uma "dimensão sem precedentes" e dirige-se para Bordéus, uma das cidades mais importantes do país, com novas retiradas de população previstas, segundo as autoridades.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, solicitou a mobilização das forças armadas "para prestarem o máximo apoio à segurança civil".

O número de militares destacados "em apoio aos bombeiros" foi duplicado para 1.000 nos departamentos da Gironda e das Landes, segundo o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, no final de uma reunião da célula de crise interministerial.

Nesta região altamente turística, conhecida mundialmente pelas seus vinhas, os incêndios levaram à retirada de pelo menos 141.000 pessoas desde quarta-feira à noite, das quais 110.000 foram retiradas na região de Gironde e 31.000 na região vizinha de Landes.

O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, referiu-se a "uma situação totalmente inédita". As chamas consumiram mais de 22.000 hectares, o dobro da área de Paris, e destruíram 100 edifícios, segundo as autoridades.

Espanha e França anunciaram ter ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e solicitado meios aéreos de combate a incêndios. A Grécia aceitou o pedido francês e disponibilizou dois aviões Canadair. A União Europeia destacou quatro aviões para a Espanha e três para a França, segundo a Comissão Europeia ao meio-dia de sexta-feira.

No total, cerca de 130.000 hectares já foram consumidos pelas chamas desde 01 de janeiro em Espanha, de acordo com o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).

Em 2025, mais de 393.000 hectares foram consumidos pelas chamas no país, segundo o EFFIS, o que representa o pior balanço da sua história recente.