Vladimir Kovacik não compete desde 2017 e foi o único representante do país europeu para evitar a descida de divisão
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Vladimir Kovacik viajou para Montreal como massagista da seleção da Eslováquia. Este domingo, porém, vestiu o equipamento nacional e alinhou na prova de fundo masculina dos Mundiais de ciclismo, ao lado de nomes como Remco Evenepoel e Mathieu van der Poel. O motivo? Era o único corredor disponível para representar o país.
Três baixas deixaram a Eslováquia sem corredores
A Eslováquia tinha quatro vagas para a prova, mas viu os três ciclistas inicialmente previstos ficarem indisponíveis. Martin Svrcek e Matthias Schwarzbacher falharam devido a problemas físicos, enquanto Lukas Kubis não recebeu autorização da sua equipa, a Unibet Rose Rockets, para participar. Com o prazo para alterações já encerrado, a federação ficou sem alternativas.
A ausência de qualquer corredor teria consequências importantes para o país no ranking da UCI.
«Para o campeão nacional, a perda de pontos é de metade; para o segundo classificado, é de quase dois terços. Estamos a falar de uma perda de centenas de pontos», explicou o selecionador Jakub Vanco, que comparou esses pontos ao valor de uma vitória numa prova World Tour.
Foi então que surgiu Kovacik. O atual massagista da seleção, de 28 anos, já tinha sido ciclista e competiu por uma equipa continental, da terceira divisão da UCI, em 2016, mas não participava numa corrida desde 2017. Nove anos depois, voltou a colocar um dorsal para cumprir uma missão muito específica.
«A nossa participação será puramente formal. Estaremos representados por alguém que já está aqui e que cumpre formalmente os critérios e tem a licença necessária», explicou Vanco.
«É um sonho para qualquer corredor»
Antes da partida, Kovacik confessou estar ainda a tentar perceber o que lhe estava a acontecer.
«Não tenho palavras para isto. É um sonho para qualquer corredor e eu sou o massagista da seleção eslovaca, por isso é uma loucura. O último corredor estava realmente lesionado e não podia vir. Foi há poucos dias, essa foi a última opção», contou.
O próprio admitia não estar preparado para uma prova deste nível.
«Tenho treinado um pouco, mas apenas como amador», revelou, antes de brincar com o regresso aos rituais de um ciclista de competição.
«Foi um pouco difícil colocar o número. Já passaram nove anos desde a última vez que o fiz e que depilei as pernas. Foi mesmo, mesmo difícil», atirou.
Proteger o futuro da Eslováquia
A participação de Kovacik teve sobretudo um objetivo coletivo: evitar que a Eslováquia perdesse pontos importantes no ranking da UCI, relevantes para o apuramento dos seus corredores para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
«Estamos a fazer isto pelos nossos ciclistas talentosos; precisamos de os manter bem classificados para que corredores como Schwarzbacher, Kubis, Riska, Novák, Chladoňová e outros possam chegar aos Jogos Olímpicos», explicou o selecionador nacional.
Assim, enquanto a Eslováquia procura reconstruir-se depois da era de Peter Sagan, tricampeão mundial entre 2015 e 2017, é Kovacik quem carrega sozinho a bandeira do país na prova de elite. Foi para Montreal para trabalhar como massagista. Acabou a disputar um Mundial.
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