A desinformação na era das redes sociais foi um dos principais assuntos das mesas do SP2B nesta segunda-feira (10), no parque Ibirapuera, na zona sul da cidade. Com dezenas de palestras, o festival, que tem parceria com a Folha, discute empreendedorismo e inovação até o domingo (16).
Médico e colunista do jornal, Drauzio Varella se apresentou em uma mesa que discutiu a credibilidade. "Não vá usar o meio de comunicação só para mostrar que você conhece [determinado tema], não é para isso que ele serve", afirmou o especialista, ao criticar o excesso de postagens nas redes hoje que se vendem como informativas.
Varella se apresentou no Summit Globo, no espaço Bespoke, ao lado da jornalista Poliana Abritta, da TV Globo, da diretora de comunicação do Itaú Unibanco, Pamela Vaiano, e da diretora do laboratório de estudos digitais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marie Santini. A conversa abordou temas como o uso mal-intencionado de inteligência artificial, o atual papel da imprensa e o aumento de fake news.
Varella citou as vezes em que foi vítima de vídeos gerados por IA, que imitavam seu rosto para vender remédios falsos. "Se as empresas dominam a tecnologia, como não têm condição de tirar do ar essas propagandas falsas?"
O médico também criticou a maneira como as redes têm impactado a saúde mental de crianças e adultos. "Não uso rede social porque não estou interessado em ver o que meus amigos comeram no café da manhã", disse, rindo.
"Depois, eu sei o mecanismo cerebral: pequenas doses de dopamina que entretêm. Daí, passa uma hora e você sente frustração porque esgotou toda a dopamina. A gente não pode ficar rolando imagem o tempo inteiro na internet e dizer que isso faz mal para as crianças."
Com a presença de alguns dos rostos mais famosos da emissora, o Summit Globo também teve outras mesas e foi aberto por William Bonner.
"Nos últimos anos, criou-se a ilusão de que influência é só captar a atenção a qualquer coisa, mesmo que para isso seja preciso distorcer a realidade ou espalhar a dúvida. Influência real é responsabilidade. Todo poder carrega um dever ético profissional", afirmou Bonner, refletindo sobre a banalização do termo "influenciador" em mesa com Manzar Feres, diretora de negócios da Globo.
Depois, foi a vez de debater simultaneidade com figurinhas célebres no ao vivo: Tadeu Schmidt, apresentador do BBB; Kenya Sade, jornalista de entretenimento, Renata Silveira, jornalista esportiva; Rodolfo Medina, executivo da Rock World; e Joana Chulam, diretora de mídia do Mercado Livre.
O grupo falou sobre as oportunidades de mercado diante da TV ao vivo, publicidade e os avanços da inteligência artificial. "O BBB é consumido de diversas formas e em diversas plataformas. Na última temporada, tivemos muito empenho para tornarmos o ao vivo relevante todos os dias", afirmou Schmidt.
O painel também discutiu o impacto da inteligência artificial para os comunicadores de TV. "Eu sou muito otimista com relação à IA, mas eu acho que a gente vai escolher ver as coisas humanas."
O SP2B também destacou o Summit Fifa no espaço Belong - The Human Code. "Muitas vezes, acham que falar de futebol feminino é apenas falar de políticas de gênero ou ESG. Mas não é só isso", afirmou a repórter Renata Mendonça, ao comentar sobre os crescentes lucros que a modalidade esportiva tem gerado.
Na mesa estavam também a jogadora Tamires Dias, lateral do Corinthians, e Julio Lopez, executivo da Coca-Cola, marca que patrocinará a Copa do Mundo feminina, que terá a sua próxima edição no Brasil, no ano que vem.
"Antes, a gente ia jogar futebol e, na arquibancada, estavam só as nossas famílias e os melhores amigos. Hoje, não. As pessoas ligam a TV para nos assistir porque veem qualidade no jogo", disse Dias, ao celebrar a crescente visibilidade que ela e outras atletas têm conquistado.
Depois, o Summit Fifa encerrou com uma mesa para debater os impactos da próxima Copa. Estavam lá Thiago Jannuzzi, diretor executivo de operações da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027; Roberto Geveard, diretor de Gestão e Inovação da Embratur; Juliana Agatte, secretária da Copa no Ministério do Esporte; e Cristina Naumovs, consultora de criatividade.
Segundo Agatte, o governo tem discutido como promover políticas de incentivo ao futebol feminino —não apenas no Ministério do Esporte, mas também no da Educação. Ela ainda afirmou que a próxima Copa tem sido tratada institucionalmente como uma oportunidade para também combater a violência contra a mulher.