Ingrid Alexandra da Noruega: Ela é a antiprincesa que a moda espera?

Ingrid Alexandra: estilo próprio
Ingrid Alexandra: estilo próprio (Edwina Pickles / Sydney Morning Herald/Getty Images)

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Uma princesa que usa tênis, jeans e jaqueta esportiva. Que pega emprestado o vestido da mãe em vez de mandar fazer outro. Que prefere um blazer bem cortado a uma profusão de babados e, quando precisa usar um vestido de gala, parece mais interessada em ser uma garota bem-vestida do que em interpretar uma princesa de conto de fadas. Ingrid Alexandra da Noruega talvez seja a anti-princesa que a monarquia – e a moda – estava esperando.

Aos 22 anos, ela acaba de ganhar um novo lugar — e um guarda-roupa prestes a ganhar muito mais atenção. Com a morte do rei Harald V e a ascensão de seu pai, Haakon, ao trono, Ingrid tornou-se a princesa herdeira da Noruega e primeira na linha de sucessão. A mudança de título aumenta o peso institucional de sua imagem, mas não parece ter alterado aquilo que torna seu estilo interessante: a recusa em parecer excessivamente produzida.

Seu armário segue uma cartilha muito mais próxima da moda escandinava do que do guarda-roupa tradicional de uma futura rainha. Alfaiataria, casacos estruturados, tricôs, calças de corte reto, jeans e tênis formam a base. As cores são frequentemente sóbrias e as combinações, descomplicadas. Não há uma profusão de logotipos ou aquela necessidade, comum entre jovens celebridades, de transformar cada aparição em um momento fashion.

O interessante é que isso não significa falta de vaidade. Pelo contrário. Ingrid parece entender a moda, só que pelo avesso — quanto menos esforço a roupa aparenta exigir, melhor. É a estética do luxo silencioso aplicada a uma princesa que ainda pode, sem grandes cerimônias, parecer uma jovem saindo para um café em Oslo.

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Há também uma questão geracional aí. Ingrid pertence a uma leva de jovens integrantes da realeza europeia que cresceu em um mundo no qual sustentabilidade, repetição de roupa e consumo consciente são parte da conversa sobre moda. Aos 18 anos, ela apareceu em público com um vestido branco Alexander McQueen que já havia sido usado por sua mãe, Mette-Marit. Em vez de esconder a repetição, a família real fez dela parte da história da roupa. E a escolha disse muito. Para uma geração acostumada a brechós, vintage e armários compartilhados, repetir roupa é mais cool do que estrear uma peça. E Ingrid sabe disso.

Sua relação com a moda local também merece atenção. A princesa já usou criações de estilistas noruegueses, como Pia Tjelta, e acessórios de marcas do país. É uma maneira discreta de construir identidade nacional por meio da roupa, sem cair na armadilha de transformar cada look em uma fantasia folclórica.

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Mas talvez seja nos momentos em que abandona completamente o protocolo que sua personalidade aparece com mais clareza. Ingrid pratica esportes, cresceu esquiando e surfando e tem formação militar. Já apareceu jogando futebol ao lado de Erling Haaland. Seu guarda-roupa casual, portanto, não parece uma estratégia de imagem inventada por um stylist; ele acompanha uma vida que existe de fato.

E então vem a transformação

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Quando a ocasião exige, Ingrid sabe vestir a personagem. Em eventos formais, aparecem vestidos longos, joias delicadas e silhuetas mais femininas. Já usou Stella McCartney e Monique Lhuillier e, como qualquer integrante de uma família real, sabe que existe um código de vestimenta a cumprir. Mas mesmo nesses momentos há uma certa leveza. Cabelo solto, maquiagem discreta e acessórios contemporâneos impedem que o resultado fique excessivamente solene.

Foi assim também em sua primeira grande aparição depois de o pai assumir o trono. Em meio ao período de luto pela morte de Harald V, Ingrid surgiu de preto, com vestido longo e um grande arco de cabelo. O acessório poderia parecer banal em qualquer outra circunstância, mas, no contexto real, funcionava como uma assinatura: clássico o suficiente para o protocolo, jovem o bastante para não envelhecê-la.

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Homem de uniforme militar azul com faixa azul e medalhas, e mulher de vestido preto com faixa vermelha e medalhas, em pé sobre um tapete vermelho, ao lado de cadeiras douradas e estofadas em veludo vermelho
Ingrid Alexandra: mesmo em atos solenes, ela veste a solenidade, mas sem grandes exageros (Getty Images/Getty Images)

Essa, aliás, é a chave de seu estilo. Ingrid Alexandra não tenta parecer uma rainha antes da hora. Ela é uma jovem mulher que, por acaso, está sendo preparada para ser rainha. É uma diferença importante. Leonor, da Espanha, Elisabeth, da Bélgica, e Amalia, dos Países Baixos, também representam uma nova geração de herdeiras, mas Ingrid tem uma relação particularmente nórdica com a ideia de elegância: menos princesa de porcelana, mais garota cool de Oslo.

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Agora que o pai ocupa o trono, ela terá cada vez menos espaço para passar despercebida. Virão mais cerimônias, mais retratos oficiais, mais viagens e, inevitavelmente, mais escrutínio sobre suas roupas. Será interessante observar se a futura rainha continuará encontrando maneiras de inserir jeans, tênis, peças esportivas e referências de sua geração no guarda-roupa real. A questão não é se Ingrid Alexandra sabe se vestir como uma princesa. Isso ela já provou que sabe. A pergunta é se uma futura rainha pode continuar se vestindo como ela mesma. Eu gosto mais desse caminho porque dá para transformar a matéria quase numa tese sobre a nova geração royal, e Ingrid vira o melhor exemplo disso — sem ficar com cara de “lista de looks da princesa”.

Princesa da Noruega: ela prefere se vestir como uma jovem comum de 22 anos
Princesa da Noruega: ela prefere se vestir como uma jovem comum de 22 anos (Getty Images/Getty Images)

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