Investimento estrangeiro em Moçambique recua 21% até março para 1.091 ME

O investimento direto estrangeiro (IDE) em Moçambique caiu 21% no primeiro trimestre, em termos homólogos, para 1.286 milhões de dólares (1.091 milhões de euros), fortemente concentrado na indústria do gás e mineração, segundo dados oficiais.

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O valor compara com os 1.626 milhões de dólares (1.380 milhões de euros) do IDE captado no mesmo período de 2025, de acordo com um relatório estatístico do Banco de Moçambique.

Apesar do recuo, a estrutura do investimento estrangeiro manteve-se praticamente inalterada, continuando a ser dominada pelos megaprojetos associados aos recursos naturais.

As indústrias extrativas, incluindo carvão, petróleo, gás natural e minerais, captaram 1.209 milhões de dólares (1.048 milhões de euros) no primeiro trimestre, o equivalente a cerca de 94% de todo o IDE recebido pelo país de janeiro a março de 2026.

O peso da indústria extrativa mantém a tendência observada em 2025, quando o IDE cresceu 60,2%, para um recorde de 5.693 milhões de dólares (4.829 milhões de euros) em todo o ano, impulsionado sobretudo pelos projetos de gás natural da bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

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Nessa altura, o banco central explicava que “a evolução crescente do IDE dos GP [Grandes Projetos], que se observa nos últimos anos, é justificada, essencialmente, pelo aumento do influxo de capitais associados aos projetos da indústria de petróleo e gás, com enfoque nas atividades de prospeção e pesquisa de hidrocarbonetos na bacia do Rovuma, além da revitalização da indústria de carvão e de areias pesadas”.

Os dados do primeiro trimestre deste ano indicam igualmente que a maior parte do investimento entrou no país sob a forma de suprimentos e créditos comerciais. A rubrica Outro Capital (Suprimentos e Créditos Comerciais) totalizou 702,7 milhões de dólares (609 milhões de euros), representando mais de metade do IDE registado no período.

As entradas através de ações e participações atingiram 583,3 milhões de dólares (506 milhões de euros), dos quais 383,9 milhões de dólares (333 milhões de euros) associados a grandes projetos.

Fora da indústria extrativa, os maiores fluxos de investimento foram registados nos setores do comércio grossista e retalhista, com 17,7 milhões de dólares (15,3 milhões de euros), da produção e distribuição de eletricidade, gás e água, com 17,6 milhões de dólares (15,3 milhões de euros), e da agricultura, produção animal, caça e silvicultura, com 17,4 milhões de dólares (15,1 milhões de euros).

Em sentido contrário, a indústria transformadora registou um saldo negativo de 11,7 milhões de dólares (10,1 milhões de euros), refletindo saídas líquidas de capital no período.

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Em todo o ano de 2025, a indústria extrativa manteve a posição de principal destinatária do IDE, captando 5.211 milhões de dólares (4.421 milhões de euros), equivalentes a 91,5% de todo o investimento estrangeiro recebido por Moçambique e mais 68,2% do que em 2024.

Moçambique prevê para 2026 um novo recorde de IDE, de 5.880 milhões de dólares (4.988 milhões de euros), impulsionado pelos projetos de gás natural liquefeito (GNL) na bacia do Rovuma, segundo os documentos de suporte ao Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE).

O crescimento esperado deverá ser influenciado pela implementação de projetos estruturantes ligados à exploração de gás natural em Cabo Delgado, onde se concentram algumas das maiores reservas de gás descobertas nas últimas décadas a nível mundial.