Irã nega envolvimento em ataques de rebeldes hutis contra Arábia Saudita e forças do Iêmen

Homem de óculos e terno escuro discursa em pódio de madeira com inscrições em persa, ladeado por duas bandeiras do Irã, em sala com mapa-múndi azul ao fundo
Porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei (AHMET DURSUN / ANADOLU/AFP)

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O governo do Irã negou nesta segunda-feira, 14, qualquer envolvimento nos recentes ataques realizados pelos rebeldes hutis do Iêmen, apoiados por Teerã, contra a Arábia Saudita e as forças governamentais iemenitas.

Em declaração a jornalistas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, disse que os hutis são “totalmente independentes” e “tomam suas decisões em função de seus próprios interesses”.

“O Irã não interfere nos assuntos iemenitas”, declarou Baqaei ao anunciar o adiamento de uma reunião com os países do Golfo sobre a gestão do Estreito de Ormuz

A declaração ocorre após os hutis anunciarem nesta segunda-feira que lançaram “dezenas de mísseis balísticos e drones” contra alvos militares no sul da Arábia Saudita. O grupo disse ter executado “uma operação militar em larga escala contra instalações e infraestruturas militares, incluindo hangares de aviões de combate, radares, pistas de pouso, depósitos de munições e outros alvos situados na base aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait”, informou o porta-voz militar Yahya Saree.

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Nesta segunda, a Defesa Civil saudita emitiu alertas de perigo em quatro cidades do sul da Arábia Saudita. De acordo com Yahya Saree, os hutis atingiram a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, a quinta maior cidade da Arábia Saudita, visando instalações e infraestrutura militar.

A ofensiva, segundo o grupo, é uma resposta aos ataques aéreos realizados pela Arábia Saudita contra o Iêmen nos últimos dias.

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A escalada se dá poucos dias após os hutis capturarem a ilha de Perim, localizada no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra uma das principais rotas comerciais entre a Ásia e a Europa. A retomada dos combates também agravou a crise humanitária: milhares de pessoas deixaram áreas costeiras, e a ONU informou que mais de 2.000 cruzaram para o Djibuti desde a última quinta-feira 10.

Na quinta-feira, os hutis já haviam tomado o porto da cidade iemenita de Mocha em uma tentativa de obter o controle total da costa do Mar Vermelho. Além dele, os hutis também reivindicam o controle da cidade de Hays, que faz uma interseção entre três províncias no Iêmen, e do acampamento Khalid ibn al-Walid, a maior base militar da região.

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Tensão entre hutis e Arábia Saudita

As hostilidades começaram em julho, quando os hutis desafiaram o controle de Riad sobre o espaço aéreo iemenita ao permitir que um avião iraniano pousasse no Iêmen. O governo do país, reconhecido pela comunidade internacional, respondeu com um ataque ao aeroporto.

A fase mais recente da escalada veio na semana retrasada, quando os hutis atacaram instalações de energia e cidades do sul da Arábia Saudita usando drones e mísseis balísticos, após o colapso, em julho, do cessar-fogo firmado em 2022, em meio à crescente instabilidade regional.

Em resposta, as forças militares do reino lançaram pelo menos 40 ataques na última quarta-feira 9. “Aviões sauditas executaram 32 ataques aéreos contra diversas áreas das províncias de Marib, Al Jawf, Taiz e Hodeida nas últimas horas”, informou o canal de televisão rebelde Almasirah. Algumas horas depois, a emissora relatou uma dezena de bombardeios adicionais.

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Os combates já deixaram mais de 500 mortos no Iêmen, segundo um balanço da agência de notícias AFP. O número inclui pelo menos 216 soldados do governo e 278 combatentes hutis, além de 29 civis.

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