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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou, durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 10, que “os iranianos demonstraram ser jogadores profissionais de xadrez”. A afirmação veio depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter comparado o conflito entre os dois países a uma “partida de xadrez”.
“Não devem esperar sair limpos quando brigam com porcos. Afinal de contas, isso às vezes faz parte do combate que é imposto”, continuou Baqaei. O porta-voz da diplomacia da República Islâmica aproveitou a oportunidade para reforçar que não há nenhuma negociação direta com Washington no momento, apenas “trocas de mensagens” por meio de intermediários.
+Trump diz que vai exigir indenização do Irã para encerrar guerra
De acordo com ele, as conversas não serão retomadas enquanto os Estados Unidos continuarem cometendo violações ao memorando de entendimento firmado em meados de junho deste ano.
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“Enquanto isso continuar, não estarão garantidas as condições necessárias para estabelecer um tráfego marítimo internacional seguro”, acrescentou.
O porta-voz ressaltou que ainda há alguns pontos técnicos que devem ser discutidos. Além disso, Baqaei indicou vários “mecanismos” que precisam ser implementados para garantir a segurança e a limpeza do Estreito de Ormuz, importante via marítima bloqueada pelo país muçulmano como resposta aos ataques americanos.
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“Como regra geral, quando se prestam serviços marítimos, necessariamente se recebe algo em troca”, disse o diplomata. O Irã não quer retornar à situação anterior à guerra e deseja cobrar pelo trânsito na via marítima, apesar da oposição dos Estados Unidos e de vários países.
Compensação
Em paralelo, nesta segunda, Trump afirmou que buscaria uma compensação por parte do Irã por ataques que remontam a décadas atrás, como parte de qualquer futura negociação de paz. Ele não especificou a quais incidentes se referia, mas o regime dos aiatolás foi apontado como mandante de atentados terroristas por todo o mundo, de Buenos Aires a Beirute, por meio de seu “eixo da resistência”, a rede de grupos armados que o Estado financia.
“O Irã está pedindo uma compensação pelos danos que lhe foram causados durante o conflito militar dos últimos cinco meses (…) Eu também exijo uma compensação do Irã por todas as pessoas que mataram” ao longo do tempo, escreveu o americano na sua rede, a Truth Social. “Instruí meus representantes a incluir isso firmemente em todas e quaisquer negociações futuras”, completou.
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A declaração vem após o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, declarar no domingo 9 que o Estreito de Ormuz não será reaberto a menos que os Estados Unidos atendam a certas demandas do regime dos aiatolás, entre as principais delas o pagamento de indenizações por danos causados pelos bombardeios.
O ocupante do Salão Oval, no entanto, alegou que e exigência iraniana de uma indenização pelos danos causados na guerra “isso nunca foi mencionada em nenhuma de nossas negociações ou reuniões”. O texto do memorando de entendimento assinado em 17 de junho, que ruiu com a retomada dos ataques parte a parte poucas semanas depois, previa um fundo “no valor mínimo de US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão) para a reconstrução e o desenvolvimento econômico” da república islâmica.
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Mohammad Baqer Zolqadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, também listou outras exigências: o fim de novas ameaças americanas contra o Irã; a interrupção de agressões ao país e aos grupos armados que apoia no Líbano, em Gaza, no Iêmen e no Iraque; a remoção completa do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos; e a suspensão de sanções e liberação de fundos do Irã congelados em bancos no exterior.
Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em junho, mas a Marinha americana restabeleceu, em julho, um bloqueio a portos e navios iranianos — uma medida que, segundo Teerã, violou a trégua que já era praticamente nula naquela altura.
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Uma fonte do governo americano afirmou à agência de notícias Reuters que o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos está condicionado à retomada do fluxo de navegação “sem impedimentos” no Estreito de Ormuz, e que quaisquer ações de Washington só virão após o cumprimento dos compromissos por parte de Teerã.
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