A reunião estava prevista para hoje, mas o Irão e países do golfo Pérsico concordaram em adiá-la, ainda sem nova data anunciada, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi.
Esperava-se que na reunião fossem discutidas rotas de navegação seguras no estreito de Ormuz, por onde passava 20% do comércio mundial de petroleiro e gás, mas que está bloqueado devido à guerra israelo-americana contra o Irão.
"É verdade que a Arábia Saudita pediu o adiamento desta reunião", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
"Invocar a questão iemenita como razão [para o adiamento] é um falso pretexto" afirmou, durante uma conferência de imprensa em Teerão.
A Arábia Saudita apoia as forças governamentais do Iémen que estão em guerra com os rebeldes xiitas huthis desde 2014.
Os huthis, aliados do Irão, lançaram uma ofensiva nas últimas semanas e conseguiram o controlo da costa ocidental do Iémen, condicionando o acesso ao mar Vermelho.
Os rebeldes reivindicaram hoje ter disparado "dezenas de mísseis balísticos e drones" contra alvos militares no sul da Arábia Saudita, em resposta a ataques do país vizinho.
Baghaei voltou a negar qualquer envolvimento do Irão na guerra no Iémen, referindo que os huthis são "atores totalmente independentes", que tomam decisões "em função dos próprios interesses".
O chefe da diplomacia de Omã disse que o adiamento da reunião sobre o estreito de Ormuz, que devia realizar-se hoje em Salalá, uma cidade turística na costa sul do sultanato, foi decidido "em prol do consenso".
"Continuamos empenhados em promover o diálogo que apoie a estabilidade e a cooperação duradoura na nossa região", afirmou Al-Busaidi numa mensagem nas redes sociais.
O diretor-geral do Departamento do Golfo Pérsico do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Ali Bak, disse que a decisão de adiar o encontro foi tomada em conjunto pelas autoridades omanenses e iranianas.
O adiamento seguiu-se a um pedido feto por alguns países, que não especificou em declarações divulgadas pela agência de notícias estatal iraniana IRNA e replicadas pela espanhola EFE.
Na reunião, de acordo com declarações oficiais, Teerão pretendia explicar o memorando de entendimento com Omã, como dois Estados ribeirinhos do estreito de Ormuz, para determinar rotas marítimas provisórias e seguras.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, disse no domingo que o acordo com Omã não implica a reabertura do estreito enquanto os Estados Unidos não retomarem os compromissos previstos no memorando de entendimento para a paz assinado em junho.
De acordo com a imprensa iraniana, além de Omã e do Irão, também se esperava a participação da Arábia Saudita, do Kuwait, do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos e do Iraque no encontro adiado.
O Bahrein demarcou-se da reunião ao recordar que o seu território foi alvo de ataques iranianos.
O Irão anunciou há semanas que tinha alcançado um acordo com Omã para o estabelecimento de um corredor para o trânsito de navios em Ormuz.
A gestão caberia aos dois países, mas até agora o plano não entrou em vigor.
Nos últimos dias, registou-se uma troca de ataques contra petroleiros entre o Irão e os Estados Unidos, no âmbito da disputa pelo controlo da via marítima, fundamental para o comércio mundial de petróleo, gás e outras matérias-primas.
O Irão bloqueou o estreito de Ormuz após o início da guerra, em 28 de fevereiro, e converteu a ação na principal medida de pressão no conflito que mantém com os Estados Unidos e Israel.
A República Islâmica insiste ainda em cobrar taxas por serviços de navegação, segurança e ambiente aos navios que transitem pelo estreito, algo a que os Estados Unidos se opõem.
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