Após nove noites de ataques, Irão mantém capacidade de resposta e inflige baixas às forças norte-americanas
À medida que os Estados Unidos e o Irão trocam ataques aéreos e com mísseis pela nona noite consecutiva, Teerão está a demonstrar que consegue resistir ao poder de fogo utilizado por Washington e continuar a responder com uma capacidade letal que os militares norte-americanos não enfrentavam desde os primeiros dias da guerra.
Os ataques iranianos com mísseis e drones contra forças norte-americanas na Jordânia e no Iraque provocaram a morte de pelo menos três militares dos EUA, deixaram outro desaparecido e fizeram ainda vários feridos.
O Pentágono não está a divulgar as perdas materiais, mas Teerão afirma ter destruído um elevado número de helicópteros Black Hawk norte-americanos e causado danos significativos em infraestruturas militares, incluindo hangares de aeronaves, durante os vários dias de ataques.
Ao mesmo tempo que os Estados Unidos atacam infraestruturas iranianas, como pontes, portos e centrais elétricas, Estados do Golfo, como o Kuwait e o Bahrain, onde Washington mantém bases militares, estão também a sofrer danos nas suas infraestruturas provocados por mísseis e drones iranianos.
Os comunicados diários do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) parecem repetir a mesma mensagem. "Os ataques vão continuar a degradar as capacidades militares iranianas utilizadas para atacar navios comerciais e marinheiros civis que transitam pelo Estreito de Ormuz", afirmou o comando esre domingo.
No entanto, o Irão não dá sinais de que os Estados Unidos tenham reduzido essas capacidades ao ponto de tornar previsível um fim para o atual ciclo de combates.
Especialistas disseram à CNN, em maio, que o Irão teria ainda cerca de 1.000 mísseis armazenados em instalações subterrâneas, além de milhares de drones.
Até o vice-presidente norte-americano, JD Vance, admitiu que os ataques aéreos, por si só, não serão suficientes para alcançar um dos principais objetivos da administração Trump: manter o Estreito de Ormuz aberto.
"É possível bombardeá-los, retirar-lhes os radares e destruir alguns dos drones e mísseis, mas é demasiado fácil disparar contra navios no estreito", disse Vance num episódio do podcast The Joe Rogan Experience, divulgado na semana passada.
Agora, o Irão mostrou que as tropas norte-americanas enfrentam esses mesmos perigos em toda a região — com consequências mortais.