Diabetes gestacional: Isa Scherer revela diagnóstico e médica explica | Gshow

O gshow ouviu Cristina Figueiredo Sampaio Façanha, endocrinologista e integrante do departamento de diabetes e gravidez da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), para explicar a doença.

Isa Scherer — Foto: Agnews

Segundo Cristina Figueiredo, a diabetes gestacional é uma alteração no metabolismo da glicose diagnosticada durante a gestação, em que a glicose no sangue fica acima do adequado para o desenvolvimento do bebê. Esta alteração é identificada pela primeira vez durante a gravidez e não atinge, na maioria dos casos, os valores de glicemia encontrados no diabetes fora da gestação.

“Costuma aparecer mais frequentemente na segunda metade da gravidez e, em geral, melhora após o parto. Algumas mulheres, porém, podem apresentar níveis inadequados já no início da gestação, o que deve ser diferenciado entre um diabetes gestacional precoce ou o diabetes prévio não diagnosticado, uma alteração da glicemia que já existia mesmo antes da gestação, porém só foi percebida durante os exames do pré-natal”, explica.

Isa Scherer toma medição para a diabetes gestacional — Foto: Reprodução Instagram

Por que a diabetes gestacional surge durante a gravidez?

Durante a gestação, tudo que a mãe come é dividido entre ela e o bebê. Com o objetivo de privilegiar a nutrição fetal, a placenta produz hormônios que diminuem a ação da insulina da mãe, dificultando que ela absorva rapidamente a glicose no sangue, e este nutriente fique disponível para a captação placentária. Essa resistência à insulina é uma adaptação natural, que ajuda a garantir a oferta de nutrientes para o bebê, e acontece em todas as gestações. Para compensar, o pâncreas da mãe precisa produzir mais insulina.

“Quando ele não consegue aumentar essa produção o suficiente, a glicose se acumula e começa a subir, e aparece o diabetes gestacional. Portanto, não é correto dizer que o diabetes gestacional surgiu simplesmente porque a mulher ‘comeu muito doce’. O mecanismo é complexo e multifatorial, e inclui, sim, a alimentação materna, mas também o ganho de peso, hábitos de vida não saudáveis, a genética e outras características maternas que podem contribuir. A própria gestação provoca estas importantes mudanças metabólicas.”

Isa Scherer — Foto: Reprodução Instagram

Sintomas

A diabetes gestacional é silenciosa e não apresenta sintomas. Ele pode aparecer em mulheres jovens, magras e sem qualquer fator de risco aparente. Por isso, atualmente, recomenda-se a investigação de todas as gestantes, mesmo aquelas que não apresentam sintomas ou fatores de risco.

Sintomas como sede excessiva e aumento da quantidade de urina podem ocorrer, até pela própria gestação, mas não são frequentes nem específicos. A ausência de sintomas é uma regra, não a exceção!

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O tratamento

O tratamento começa com orientação alimentar individualizada, de acordo com vários parâmetros que incluem a idade gestacional, o IMC materno, o quanto de peso a mãe já ganhou na gestação, a presença de outras condições associadas e, principalmente, o perfil de desenvolvimento do bebê. “A atividade física ajuda muito no controle da glicemia e deve ser encorajada sempre que não houver contraindicação obstétrica.”

Isa Scherer — Foto: Reprodução / Instagram

O bebê

A endocrinologista conta como a diabetes gestacional pode afetar o bebê:

“Pode aumentar alguns riscos, principalmente quando a glicose permanece elevada e não é adequadamente tratada. O excesso de glicose materna atravessa a placenta e faz o bebê produzir mais insulina. Como consequência, ele pode crescer excessivamente e acumular mais gordura em detrimento da massa magra.”

O parto

Uma dúvida que surge é se a mulher pode ter parto natural com a diabetes gestacional. A médica diz que sim. O diabetes isoladamente não é indicação de cesariana. “A escolha da via e do momento do parto depende de vários fatores, como controle glicêmico, crescimento e peso estimado do bebê, idade gestacional, pressão arterial, quantidade de líquido amniótico e condições maternas e fetais. Portanto, a decisão deve ser individualizada.

Isa Scherer com os gêmeos Mel e Bento, 4 anos, e o marido, Rodrigo Calazans — Foto: Reprodução Instagram