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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida: Especial Irão", sobre os conflitos no Médio Oriente. Passamos em revista a imprensa do Médio Oriente e também dos Estados Unidos. Hoje a edição é do jornalista Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.
Boa tarde, Miguel.
E vamos começar a olhar para Israel, isto porque, Carlos, o Conselho de Paz para Gaza está a analisar um novo plano de desarmamento do Hamas.
Netanyahu anunciou ontem a criação de um grupo de trabalho com vista à supervisão do desarmamento do movimento islamita Hamas. Trata-se do segundo grupo de trabalho criado para o efeito. Em comunicado, o governo israelita diz que este novo grupo vai focar-se no saneamento básico, na água potável e noutras questões de saúde pública para a população de Gaza, que também afetam a população de Israel. Este anúncio surge também depois de uma reunião em Jerusalém entre Netanyahu e Jared Kushner, o engenheiro e conselheiro de Donald Trump. De acordo com a Agência France-Presse, que cita uma fonte israelita, Netanyahu e Kushner concordaram com a nomeação de um general norte-americano para supervisionar o desarmamento do Hamas.
No entanto, o Times of Israel diz hoje que o Conselho de Paz está a considerar alterar o plano, que foi alvo de resistência por parte de Tel Aviv.
É isso mesmo, Miguel. A notícia é do Times of Israel, que cita uma fonte familiarizada com estas negociações. Em vez de o Hamas entregar as armas por fases, ao mesmo tempo que Israel vai retirando as tropas do enclave, esta fonte indica que a outra opção passa pelo Hamas entregar todas as armas em Gaza e só depois Israel teria que retirar as tropas para a fronteira de Gaza. No entanto, surge outro problema, é que a mudança até pode ser suficiente para o sim de Israel, mas as mudanças podem dar origem a um não do Hamas. Isto depois de meses em que o Conselho de Paz tentou convencer o grupo islamita a aceitar o plano de desarmamento gradual. O plano original aprovado a 30 de julho pelo Hamas dividia os cerca de 47% da Faixa de Gaza, ainda controlados pelo grupo palestiniano, em cinco setores e previa a desmilitarização sucessiva de cada um deles. Uma vez verificada a entrega de armas e a destruição dos túneis do Hamas, as Forças de Defesa de Israel seriam obrigadas a retirar as tropas estacionadas ao longo do setor que foi, entretanto, desativado. Netanyahu não gosta ou não gostou da proposta e insiste que Israel não vai realizar nenhum recuo até que o Hamas esteja completamente desarmado.
Vamos agora falar do Irão, Carlos, porque este país vai investir fortemente em tecnologia nuclear.
É uma garantia deixada pelo vice-líder da Guarda Revolucionária Islâmica, o major general Izadi, num discurso durante um evento de homenagem ao antigo aiatola Ali Khamenei. Izadi fez um balanço do conflito com os Estados Unidos, diz que os norte-americanos começaram a guerra com o objetivo de derrubar e fragmentar o Irão, um objetivo que para este responsável iraniano acabou fracassado. Izadi aponta que Teerão assumiu o controle de Ormuz e, por isso, criou um poder de dissuasão extraordinário no Médio Oriente. O vice-chefe do exército iraniano considera ainda que as alterações que têm sido causadas por este conflito refletem o declínio dos Estados Unidos. Izadi diz ainda que Teerão vai continuar com firmeza o caminho nuclear, científico e de desenvolvimento do país. São os destaques do discurso de hoje de Mostafa Izadi, citado pela Agência Tasnim.
Izadi salienta também os esforços do Irão junto dos países vizinhos no Médio Oriente. Nesse sentido, Carlos, o presidente do Parlamento iraniano está de partida para o Iraque. Em cima da mesa vai estar o reforço dos laços estratégicos.
É uma notícia também da Agência Tasnim. O encontro vai acontecer amanhã, na quarta-feira, quando Mohammed Bagher Ghalibaf visitar Bagdad, a capital do Iraque. Irão e Iraque vão discutir os esforços conjuntos para promover ou para ajudar a promover a estabilidade e a segurança no Médio Oriente, a expansão das relações bilaterais, a segurança das fronteiras, o combate ao terrorismo, a cooperação económica e implementação de acordos conjuntos vão marcar esta viagem do presidente do Parlamento iraniano ao Iraque. Esta visita acontece também num ambiente de crescente instabilidade por toda a região do Golfo Pérsico.
Dar ainda conta dos valores dos mercados energéticos. O petróleo Brent ultrapassou esta manhã os US$ 91.
O petróleo Brent, a referência europeia, ultrapassou os US$ 91, ou seja, atingiu o valor mais alto desde o início deste mês de agosto. O preço do petróleo Brent para entrega em outubro abriu hoje acima dos US$ 91 por barril. É o valor mais elevado deste mês. Trata-se de uma subida ainda assim inferior a 1% face à última atualização de mercado feita ontem à noite. Esta subida ocorre também no dia em que um projétil atingiu uma nova embarcação no estreito de Ormuz.
Tudo dito em mais um episódio da "Guerra Traduzida". Hoje a edição foi do jornalista Carlos Pedro.