O Japão prepara-se para dar um passo que a União Europeia (UE) deu definitivamente este verão, implementando uma medida que chega depois de anos de multas cada vez mais pesadas não terem travado o aumento de acidentes causados por quem usa o smartphone ao volante.
O Ministério da Terra, Infraestruturas, Transportes e Turismo do Japão (em inglês, MLIT) vai alterar a legislação de segurança rodoviária já no próximo mês, definindo que, a partir de setembro de 2031, todos os modelos novos vendidos no país, sejam de marcas japonesas ou estrangeiras, terão de vir equipados com um sistema de monitorização do condutor (em inglês, DMS).
Os modelos que já estão em produção, com homologação anterior, terão um período de transição até 2033.
Esta medida impõe câmaras de infravermelhos instaladas na coluna de direção ou no tablier, a acompanhar em tempo real para onde o condutor está a olhar e durante quanto tempo.

Se os olhos saírem da estrada por tempo a mais, o sistema dispara um alerta, visual, depois sonoro, e em alguns casos até com vibração no volante ou no banco.
Antes desta medida que, não sendo, parece inspirada na UE, o Japão já exige este tipo de tecnologia em veículos com condução autónoma de Nível 3, por forma a ser possível confirmar que o condutor está pronto a retomar o controlo. Agora, essa lógica vai aplicar-se a qualquer carro normal.
Porque é que as multas deixaram de resultar
Em 2025, o Japão registou 148 acidentes graves ou mortais causados por uso do smartphone ao volante, dos quais 26 mortais, o valor mais alto desde que a Polícia Nacional começou a recolher estes dados, em 2015.
Além disso, é o quinto ano consecutivo de subida. Um acidente relacionado com o telemóvel tem hoje cerca de 3,4 vezes mais probabilidade de ser mortal do que um acidente comum.

Ao mesmo tempo, as mortes de trânsito no Japão caíram para 2547 em 2025, o valor mais baixo desde que há registos comparáveis, em 1948. Assim, a distração pelo telemóvel verifica-se como a categoria mais problemática.
Em 2019, o Japão já tinha reforçado significativamente as penas para quem usa o telemóvel a conduzir, incluindo a possibilidade de prisão.
Apesar de o impacto inicial ter sido sentido, com os acidentes a descerem, ainda mais durante a pandemia, assim que o trânsito voltou ao normal, os números voltaram a subir.
A explicação mais apontada por especialistas justifica que a lei só funciona se houver fiscalização, e a polícia não consegue vigiar todos os condutores em todos os momentos. Ou seja, endurecer a multa muda o custo de ser apanhado, mas não muda a probabilidade de o ser.
A UE antecipou-se
O anúncio japonês surge poucas semanas depois de a UE ter tornado obrigatório, a 7 de julho de 2026, o sistema Advanced Driver Distraction Warning (ADDW) em todos os carros, camiões e autocarros novos vendidos no mercado europeu.
🔸Advanced emergency brake detecting pedestrians and cyclists 🔹Advanced driver distraction warning system 🔸Better forward vision 🔹New tests for worn tyres 🔸Expanded safety glass area designed to protect pedestrians during accidents pic.twitter.com/fv4YUekxG6
— European Commission (@EU_Commission) July 5, 2026
A exigência já se aplicava a modelos recém-homologados desde 2024, mas passou a cobrir toda a produção nova, independentemente da idade da plataforma.
Conforme informámos, na UE, este alerta integra um pacote mais alargado de segurança que passou a ser obrigatório na mesma data, e que inclui também:
- Sistema avançado de travagem automática de emergência (AEB) capaz de detetar peões e ciclistas;
- Sistema avançado de alerta para distração do condutor, que monitoriza sinais de perda de atenção durante a condução;
- Melhoria da visibilidade frontal, reduzindo os ângulos mortos e facilitando a deteção de utilizadores vulneráveis da estrada;
- Novos testes de segurança para pneus desgastados, garantindo que os veículos mantêm elevados padrões de desempenho mesmo quando os pneus apresentam desgaste;
- Maior área de vidro de segurança, concebida para reduzir o impacto sobre peões em caso de atropelamento.
Para já, o Japão está a focar-se apenas na câmara de monitorização do condutor.
Entretanto, o mercado já está a reagir, com as estimativas a apontarem para um crescimento do setor de sistemas de monitorização do condutor de 3,03 mil milhões de dólares em 2024 para 8,10 mil milhões em 2033.