Justiça francesa recusa recurso contra deportação de jornalista russa

Xenia Fedorova, que está em prisão domiciliária em França desde quarta-feira, alegou "não ter necessidade de sair da região de Paris", "não solicitou autorização ao presidente da câmara" e simplesmente "afirmou, sem adiantar pormenores, que a obrigação de comparecer na audiência pública lhe causa transtorno", justificou o tribunal em comunicado.

Consequentemente, o juiz "determinou que o requisito da extrema urgência não poderia ser cumprido".

Fedorova, que foi diretora, entre 2017 e 2022, da delegação francesa do Russia Today, um canal estatal financiado por Moscovo que foi banido da União Europeia após a invasão da Ucrânia, defende abertamente a retórica do Presidente russo, Vladimir Putin, classificando a invasão da Ucrânia como uma "operação especial" e alegando que o prolongamento do conflito é da responsabilidade do Ocidente.

Na quarta-feira passada, o Ministério do Interior de França emitiu um despacho de expulsão por considerar a sua presença uma "ameaça grave e atual para a ordem pública", acusando-a de atentar contra os interesses fundamentais do Estado através de campanhas de desinformação.

A jornalista, de 45 anos, que escreve sobretudo para a televisão CNews, a rádio Europe 1 e o semanário JDNews, recusou a expulsão, alegando ser alvo de pressões políticas e censura por parte de Paris.

Os seus advogados recorreram judicialmente da decisão, enquanto os seus atuais empregadores defendem as suas intervenções sob o princípio da liberdade de expressão.

Para obter a suspensão das decisões, Xenia Fedorova interpôs um recurso com caráter de urgência, mas tinha de demonstrar a necessidade de extrema urgência que justificasse medidas em 48 horas.

Este procedimento não pode, no entanto, "limitar-se a invocar presunções que não se aplicam à sua situação, devendo abordar as graves consequências pessoais que lhe advêm das decisões contestadas, o que não fez no seu pedido", alegaram hoje os juízes.

A crescente presença de Xenia Fedorova nos meios de comunicação social pertencentes ao bilionário conservador Vincent Bolloré tem levantado receios de manipulação do debate público, particularmente em relação à campanha presidencial marcada para 2027.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, apontou especificamente para "numerosas declarações feitas por ela que ecoam sistematicamente a propaganda do Kremlin a respeito do envolvimento da França, do que está a acontecer na Ucrânia e das razões e motivações para a agressão russa na Ucrânia" como justificação para a sua ordem de deportação.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, descreveu a jornalista russa como uma "agente de influência".

O congelamento dos seus bens visa impedir a prática de "outros atos de interferência", explicou o Ministério da Economia e Finanças, referindo que a medida pretende impedir o fornecimento ou utilização de "fundos ou recursos económicos em benefício deste indivíduo e de pessoas coletivas ou quaisquer outras entidades que ele controle, possua ou que atuem conscientemente em seu nome".

Leia Também: Jornalista russa apresenta recurso contra ordem de expulsão de França