Justiça Militar julga PMs acusados de matar sargento em quartel | G1

O PM de 40 anos foi baleado dentro de um quartel em São Paulo em 2023 após uma discussão por causa de escala de trabalho.

A audiência na 4ª Auditoria Militar está marcada para começar as 14h. O conselho especial de justiça (CEJ) é composto por um tenente e três majores da Polícia Militar.

As defesas dos dois policiais acusados dizem que eles agiram em legítima defesa.

Tribunal da Justiça Militar em São Paulo — Foto: Reprodução/EPTV

Morto no quartel

Embora estivesse vivendo o sonho de morar em São Paulo, Rullian estava insatisfeito com a desorganização das escalas de trabalho e reclamou disso em áudios compartilhados com amigos.

No feriado da Páscoa de 2023, o sargento deveria ter folga e tinha planos de visitar a família em Franca. Mas, de última hora, o capitão Francisco Laroca comunicou a Rullian que ele deveria assumir o plantão daquele final de semana.

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No dia 6 abril, ele estava no alojamento da Polícia Militar, em São Paulo, quando discutiu com o capitão Laroca sobre a mudança da escala.

À esquerda, Rullian Ricardo da Silva, morto dentro de quartel da PM em São Paulo. À direita, o capitão da Polícia Militar Francisco Laroca, investigado pela morte — Foto: Reprodução/EPTV

Na época, o Comando da PM informou que Rullian teria sacado uma arma e que Laroca, também armado, acabou atirando três vezes para se defender. O motorista do capitão, o cabo Fabiano Rizzo, também atirou uma vez contra o sargento.

Rullian foi atingido no pescoço e no tórax e morreu dentro do alojamento da PM. As armas dos três policiais foram apreendidas.

Imagens de câmera na farda

Familiares do sargento sempre contestaram a versão de que ele foi baleado porque apontou uma arma para o capitão.

VÍDEO: câmera em farda registra momentos depois de PM ser morto em quartel de São Paulo

VÍDEO: câmera em farda registra momentos depois de PM ser morto em quartel de São Paulo

As imagens da câmera acoplada à farda do policial que atendeu a ocorrência após o crime (veja acima) registraram Laroca se justificando, dizendo que Rullian agiu com grosseria ao contestar uma colega.

As imagens também registraram Rullian baleado, deitado e envolto em uma coberta na cama de cima de um beliche.

O policial responsável pelo atendimento retirou uma arma que estava junto com Rulian embaixo da coberta e que seria um revólver calibre 32.

O capitão Laroca não demonstrou estar abalado com o fato de ter atirado no colega. O socorro foi acionado com ajuda do helicóptero Águia, mas Rullian não resistiu.

"A defesa vai ter que provar que foi uma legítima defesa, mas essa legítima defesa não encontra força em nada que foi feito na investigação durante esses três anos", afirma Pâmela Stradioti, advogada da família da vítima, que atua na acusação.

Rullian Ricardo da Silva estava na Polícia Militar há 17 anos — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

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