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A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, manifestou esta segunda-feira preocupação com o crescimento de partidos que considera “cegos” perante a ameaça russa, depois da vitória da extrema-direita nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt, na Alemanha.
Durante uma conferência de imprensa em Vilnius, ao lado do primeiro-ministro lituano, Mindaugas Šinkevicius, Kallas afirmou que os atos de sabotagem e outras ameaças estão a aproximar-se da Europa. A responsável europeia apontou como exemplo o incidente com um drone carregado de explosivos encontrado no aeroporto de Leipzig, que as autoridades alemãs atribuem à Rússia.
“Temos visto um número crescente de atos de sabotagem e ameaças na Europa”, afirmou Kallas, lamentando que estejam simultaneamente a ganhar força partidos que, na sua perspetiva, defendem que os países europeus não devem agir porque estas ameaças “não são assunto nosso”.
A chefe da diplomacia europeia disse temer que a Europa acorde demasiado tarde para perceber que não fez o suficiente para dissuadir estas ameaças e reforçar a sua capacidade de defesa. Kallas sublinhou, contudo, que cabe aos alemães, enquanto cidadãos de um país democrático, tomar as suas próprias decisões políticas.
A declaração surgiu um dia depois de a Alternativa para a Alemanha (AfD) ter conseguido uma vitória histórica na Saxónia-Anhalt. O partido obteve 43,8% dos votos, mais do dobro da CDU, de Friedrich Merz, que ficou pelos 17,2%.
A AfD ficou, contudo, a três lugares da maioria absoluta no parlamento regional e enfrenta agora dificuldades para formar Governo. A CDU e as restantes forças políticas têm rejeitado uma coligação com a extrema-direita, enquanto a entrada do BSW no parlamento poderá tornar esse partido decisivo nas negociações.
Também o primeiro-ministro lituano se mostrou preocupado com o resultado alemão, considerando que o crescimento das forças políticas extremas deve servir de alerta aos partidos tradicionais de direita e de esquerda. O BSW e a AfD partilham, entre outras posições, uma maior abertura à aproximação da Rússia e críticas ao apoio militar à Ucrânia.
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