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O primeiro grande leilão de baterias do país começou a produzir uma corrida bilionária antes mesmo de o governo revelar onde há espaço disponível na rede elétrica. O Ministério de Minas e Energia e a EPE exigem que os interessados cadastrem seus projetos até as 12h de 31 de julho, mas os quantitativos definitivos da capacidade de conexão de cada região e barramento só serão conhecidos posteriormente.
Na prática, empresas estão sendo obrigadas a avançar com estudos de engenharia, reserva de terrenos, pedidos de acesso e estruturação financeira sem saber se o ponto escolhido terá capacidade suficiente para receber a energia usada na recarga e escoar a potência devolvida pelas baterias ao sistema.
O risco não é apenas de perda de competitividade. Pelas regras do leilão, poderão ser inabilitados projetos instalados em barramentos sem capacidade remanescente suficiente para suportar simultaneamente a injeção de potência e a recarga dos equipamentos.
O mercado já conhece a metodologia que ONS e EPE usarão para fazer essa conta, divulgada no início de julho. O que ainda falta é a informação decisiva: quantos megawatts estarão efetivamente disponíveis em cada ponto da rede depois de considerados os projetos já contratados, as restrições de transmissão e as limitações físicas do sistema.
O resultado é uma espécie de corrida às cegas. Desenvolvedores podem gastar milhões na preparação de empreendimentos e descobrir, semanas depois, que escolheram um barramento congestionado — ou que terão de disputar uma capacidade muito menor do que imaginavam.
Nos bastidores, empresas defendem que o governo antecipe a divulgação dos quantitativos ou prorrogue o cadastramento. O temor é que a inversão do cronograma favoreça grupos que já controlam terrenos, subestações ou pontos de conexão e transforme o leilão de baterias também numa disputa pelo pouco espaço restante na transmissão.
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