Líbano afirma que ataques ao sul do país põe em causa paz na região

O chefe do Executivo de Beirute condenou, ainda, os bombardeamentos de hoje na cidade de Ansar e no distrito de Nabatiye, que fizeram pelo menos nove mortos.

O Ministério da Saúde do Líbano e a agência de notícias estatal informaram que um dos ataques aéreos, que teve como alvo uma casa nos arredores da aldeia de Ansar, matou sete pessoas, incluindo três crianças, e feriu duas.

O segundo ataque, na aldeia de Deir al-Zahrani, matou duas pessoas e feriu nove, noticiou, por seu turno a agência Associated Press.

"A responsabilidade por lidar com qualquer infraestrutura militar, caso exista em território libanês, recai exclusivamente sobre o Estado libanês, através do seu Exército e instituições legítimas, e a sua existência não concede a Israel o direito de invadir o território libanês ou expor civis ao perigo", afirmou o líder libanês numa mensagem nas redes sociais.

Salam afirmou que as sete pessoas mortas no ataque israelita a Ansar não constituíam "infraestruturas militares" e que as mulheres e crianças que perderam a vida não eram "alvos militares".

"A escalada israelita que tem vindo a ocorrer desde o amanhecer de hoje em Nabitiye, na cidade de Ansar, em Deir al-Zahrani e nas aldeias vizinhas, acompanhada por intensos bombardeamentos e ataques aéreos que aterrorizam os residentes nas suas casas, é uma questão extremamente grave que mina os esforços para consolidar a estabilidade no sul", argumentou.

Os ataques continuam apesar da assinatura de um acordo com o Governo libanês que estipula o desarmamento do partido político e milícia xiita Hezbollah e uma retirada gradual do Exército do sul do Líbano.

Israel justifica a sua agressão, apesar do cessar-fogo em vigor e no meio de negociações de desarmamento em curso, alegando que o grupo possui "infraestruturas terroristas" que representam uma ameaça para as tropas israelitas.

Os Governos de Israel e do Líbano anunciaram um "acordo-quadro" a 26 de junho último, estabelecendo um plano para a retirada das forças israelitas do sul do Líbano em troca do desarmamento do grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irão. O acordo prevê ainda medidas para um eventual acordo de paz entre os dois países - que tecnicamente permanecem em estado de guerra quase 80 anos depois da criação de Israel.

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