Estas posições foram assumidas pela deputada do Livre Patrícia Gonçalves e a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.
A deputada do Livre afirmou que as propostas anunciadas "não são suficientes, nem sequer resolvem o problema da maior parte das famílias", sublinhando que a descida do IRS não beneficia os trabalhadores que não pagam este imposto.
Patrícia Gonçalves recordou que o seu partido defende a devolução do IVA dos bens essenciais às famílias de menores rendimentos e mecanismos de redução do ISP "diferentes daqueles que o Governo tem proposto".
"Outra coisa que nos preocupa é o aumento da margem de lucro das petrolíferas durante toda esta crise, desde o fim de fevereiro de 2026. Finalmente, parece que o Governo já reconhece que sim, que a margem de lucro das petrolíferas aumentou. Tem uma iniciativa que taxará, se os seus lucros superarem 20%, a média dos lucros de 2024 e 2025, o que quer dizer que, se o aumento dos lucros for 19%, as petrolíferas não vão pagar nem mais um cêntimo", criticou ainda.
O Livre, por considerar que o resultado deste imposto não se verificará de imediato, entende que seria mais correto que houvesse "uma imposição dos tetos das margens de lucro dos combustíveis".
Pelo PCP, Paula Santos acusou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de "mais uma ação de propaganda" com o anúncio de "medidas já anunciadas".
"O primeiro-ministro perdeu uma oportunidade para, de facto, avançar com as soluções que são necessárias para que os trabalhadores, para que o povo possa de facto, e para combater este aumento do custo de vida", considerou.
A líder da bancada comunista defendeu que o Governo deve ter a iniciativa, no plano da diplomacia, de "travar esta guerra e as sanções que estão a levar ao aumento do custo de vida".
Paula Santos pediu também "medidas e soluções concretas" como o aumento dos salários, das pensões, considerando que só assim se é possível "recuperar o poder de compra".
"É também preciso intervir onde está a haver a especulação nos preços e intervir, nomeadamente, no controlo de preços, em particular nos alimentos, nos combustíveis, fixar o valor do gás engarrafado a 20 euros", acrescentou ainda.
O Governo aprovou esta quinta-feira 38 milhões de euros em apoios aos setores mais afetados pelos combustíveis, a descida das taxas de IRS do 1.º ao 6.º escalões e o suplemento extraordinário que será atribuído aos pensionistas que recebem até 1.611,39 euros.
Na conferência de imprensa em que anunciou as deliberações do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro defendeu a política seguida pelo Governo de apoio aos combustíveis e aumento do custo de vida, recusando trocá-la por "leilão de medidas avulsas e descoordenadas" que poderiam "reeditar tragédias".
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