Lucros da banca sobem há cinco anos. Em 2025 superaram 6,3 mil milhões

Os bancos em Portugal voltaram a bater recordes de lucros no ano passado. No seu conjunto, o setor registou um resultado líquido de 6.317 milhões de euros, ultrapassando o máximo de 6.287 milhões alcançado em 2024, segundo os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal.

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O supervisor fala em “lucros muito elevados”, notando que estão a subir há cinco anos.

Em 2025 o resultado subiu 30 milhões de euros, mas o suficiente para pulverizar o recorde do ano anterior. O Banco de Portugal explica que este acréscimo resultado da combinação de vários fatores:

  • A margem financeira (diferença entre juros cobrados nos empréstimos e juros pagos nos depósitos) diminuiu 859 milhões de euros. Num contexto de descida das taxas de juro, reduziu-se o diferencial entre as taxas de juro ativas e passivas;
  • As comissões (que correspondem a cerca de 1/3 da margem financeira) aumentaram 136 milhões de euros;
  • Os outros proveitos cresceram 657 milhões de euros. Esta evolução deveu-se, em parte, a operações não recorrentes realizadas por algumas instituições, nomeadamente ao registo de mais-valias e à reavaliação de ativos;
  • Os custos diminuíram 96 milhões de euros, com destaque para os impostos e para a constituição de provisões e imparidades destinadas a cobrir potenciais incumprimentos de crédito.

Apesar do bom desempenho, a rentabilidade do ativo “ficou aquém” do valor mais elevado da série: o resultado líquido representou 1,3% do ativo médio dos bancos, abaixo dos 1,4% registado em 2024.

Crédito da casa aproxima-se de níveis pré-troika

A subida dos resultados dos bancos deu-se num quadro de aceleração do crédito às famílias. No final do ano passado, os empréstimos a particulares totalizavam os 144,6 mil milhões, o que corresponde a um incremento de 11,9 mil milhões de euros em relação ao final de 2024.

Este aumento foi sobretudo impulsionado pelos empréstimos para a compra de casa, cujo montante em carteira ascendia a 110,9 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal salienta que a procura por crédito da casa se intensificou ao longo de 2025 e que o volume se aproximou dos níveis observados antes do resgate da troika e cujo programa de assistência vigorou entre 2011 e 2014.

Já o crédito às empresas seguiu uma “trajetória distinta”. “Após a forte redução iniciada em 2010, o montante dos empréstimos estabilizou nos últimos anos, sem recuperar os níveis anteriormente registados”, observa o Banco de Portugal.

No final de 2025, o stock de empréstimos às empresas totalizava 74,1 mil milhões de euros, mais 1,9 mil milhões do que no final do ano anterior.

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