Lula disse que a estratégia será retirar criminosos dos territórios sem promover operações que, segundo ele, tenham como resultado um grande número de morte.
"Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200 [criminosos]. Nós vamos prender. Vamos falar a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo. Não é dos bandidos. Isso vamos fazer", garantiu.
O presidente falou por cerca de 40 minutos e participou do evento ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio de Janeiro, e dos candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD). Ao falar sobre segurança pública, Lula citou uma proposta de emenda à Constituição enviada pelo governo ao Congresso.
Segundo Lula, caso a medida seja aprovada, será possível criar o Ministério da Segurança Pública. Ele também afirmou que pretende fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal e recuperar áreas ocupadas pelo crime organizado. "Quero olhar na cara do povo e dizer: vamos tirar o bandido do território de vocês e vamos devolver o território ao povo brasileiro", afirmou.
Segundo Lula, um preso em uma unidade de segurança máxima custa R$ 40 mil por ano, enquanto o custo em uma cadeia comum de São Paulo seria de R$ 35 mil.
"O tal do Fernandinho Beira-Mar custa o dobro do que formar uma menina médica ou um menino engenheiro", afirmou, em referência ao traficante Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar.
A educação foi outro dos principais temas do discurso. Lula prometeu ampliar o ensino em tempo integral para todas as escolas públicas do país e continuar a expansão dos institutos federais, além de citar programas como Prouni e Fies.
Lula com Paes, Benedita e Pedro Paulo em ato no Rio — Foto: Reprodução/TV Globo
Lula defende exploração de terras raras
Lula também prometeu investimentos na indústria de defesa brasileira. O presidente citou as guerras em andamento e mencionou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, o objetivo seria garantir ao país capacidade de defesa e soberania.
Outro compromisso apresentado pelo candidato foi o desenvolvimento da exploração de minerais críticos e terras raras. Lula afirmou que o Brasil está entre os países com maiores reservas desses materiais e defendeu que o país desenvolva a cadeia de produção em vez de apenas exportar os recursos.
Ele também citou a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China e disse que não pretende escolher um dos dois países como parceiro preferencial. Na área de tecnologia, Lula prometeu ampliar os investimentos em inteligência artificial e defendeu o desenvolvimento de uma tecnologia adaptada ao português e às necessidades do país.
O presidente também prometeu investimentos na chamada renovação energética e citou um projeto enviado ao Congresso relacionado a data centers.
Lula em evento no Rio — Foto: Reprodução/TV Globo
Paes fala em 'crime organizado' no governo do estado
Antes de Lula, Paes fez críticas a adversários políticos e afirmou que o Rio de Janeiro chegou ao "fundo do poço".
O candidato do PSD ao governo do estado citou a prisão do deputado Rodrigo Bacellar (PL), que chegou a ser cogitado como possível pré-candidato ao governo do estado. "Não estamos falando aqui de corrupção normal de alguém tomando um dinheirinho de uma empreiteira. Estamos falando que com essa turma o crime organizado sentou no Palácio Guanabara", afirmou.
Paes também criticou o governador Cláudio Castro (PL) e afirmou que quatro secretários do governo foram presos por supostas ligações com o crime organizado.
O candidato do PSD disse ainda que o Rio de Janeiro precisa da parceria com o governo federal e afirmou que a aliança com Lula é necessária para enfrentar os problemas do estado.
"Não vamos salvar o Rio sem ajuda do presidente do Brasil", disse. Paes também criticou os governos de Wilson Witzel e Cláudio Castro e afirmou que a atual situação da segurança pública e da educação é resultado das administrações anteriores. Ele citou ainda o desempenho do estado no Ideb, dizendo que o Rio ficou em último lugar.