Brasil
Presidente Lula defende investigação ampla no STF e cobra de Edson Fachin novas medidas para “colocar ordem na casa”
10/09/2026 20:38
, atualizado 10/09/2026 21:05

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (10/9) que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), “agiu corretamente” ao tomar medidas “para colocar ordem” na crise envolvendo a Suprema Corte. Apesar do reconhecimento, Lula disse esperar que o magistrado adote novas providências para recuperar a credibilidade da instituição.
“Acho que o Fachin tomou a atitude correta. Não terminou de tomar as atitudes, eu espero que ele faça mais coisas para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte”, disse ele em entrevista ao SBT, realizada no Palácio da Alvorada.
Durante a fala, o presidente voltou a defender uma investigação ampla sobre as suspeitas contra ministros do STF, para “apurar tudo, doa a quem doer.”
“Todo mundo tem que ser investigado. Do presidente da Suprema Corte ao presidente da República. Do mais simples catador de papel ao mais rico empresário. Todos os que tiverem suspeita de terem cometido qualquer equívoco têm que ser investigados”, afirmou.
Lula também criticou a exposição pública dos conflitos entre ministros do STF. Para ele, não é aceitável que integrantes da Corte troquem acusações publicamente, enquanto a sociedade acompanha os desentendimentos.
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“Não é possível e não é aceitável que, diante dos olhos da sociedade, fiquem os ministros da Suprema Corte brigando um com o outro, dando declaração um do outro, um acusando o outro, e a sociedade passiva assistindo”, declarou.
Entenda a crise no STF
A tensão no Supremo escalonou a partir da divulgação de mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na semana passada. Desde então, dois ministros da Corte, André Mendonça e Alexandre de Moraes, pedem investigações um contra o outro por suas condutas.
Mendonça retirou o sigilo de autos do caso Master. Os documentos que vieram a público indicam que Moraes mantinha conversas com Vorcaro.
O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, considerou haver “fortes indícios” de abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na condução de processos das operações Sem Desconto e Compliance Zero, da PF, e encaminhou o caso ao presidente da Corte, Edson Fachin, no âmbito do Inquérito das Fake News.
Na terça-feira (8/9), Mendonça considerou que relatórios da PF utilizados por Moraes na decisão eram de “superlativa gravidade e ilicitude” e determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
Segundo a decisão de Mendonça, o diretor-geral da PF encaminhou a Moraes ao menos seis “relatórios de inteligência” produzidos, de forma sigilosa, entre 3 e 31 de agosto de 2026. A peça aponta que o próprio André estava sendo monitorado ilicitamente por parte da inteligência policial havia mais de 30 dias.
Na quarta-feira (9/9), Flávio Dino julgou um recurso de Andrei e determinou a reintegração dele e de Leandro Almada aos respectivos cargos na Polícia Federal. No mesmo dia, Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e de Dino envolvendo o comando da PF e determinou que o impasse seja levado ao plenário da Corte.