Lula, que promete ‘guerra’ às emendas, errou tudo na avaliação sobre o Congresso em 2022

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Homem idoso, barba branca, chapéu de palha e camisa branca, fala ao microfone com a mão esquerda gesticulando. Ao fundo, um telão exibe a bandeira do Brasil com as palavras ORDEM E PROGRESSO e luzes vermelhas no teto. Pessoas assistem ao evento em segundo plano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante convenção do PT - 02/08/2026 (Ricardo Stuckert/Divulgação)

Continua após publicidade

Ao ser oficializado como candidato à reeleição na convenção nacional do PT em São Paulo no domingo, 2, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou os modelos atuais de emendas parlamentares e fundos partidários e disse que era preciso mudar a situação. “Fundo partidário não me agrada, porque leva os partidos para a promiscuidade. É uma invenção que nós precisamos mudar. Eu quero que vocês saibam que meu quarto mandato será para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar. Não posso aceitar que o presidente da República perca seus direitos. Vai ter briga democrática. A gente vai ter que ser mais ousado para mudar muita coisa”, declarou o petista.

Essa pretensão, no entanto, não seria concretizada com tranquilidade, uma vez que o presidente reeleito — se isso ocorrer — teria que mexer em dois pilares da atuação dos deputados e senadores hoje. Somados, os fundos eleitoral e partidário irão abastecer os cofres das legendas com mais de 6 bilhões de reais. Já as emendas parlamentares terão um valor recorde de 61 bilhões de reais.

Lula sabe que não será fácil. Na campanha eleitoral de 2022, ele prometeu várias vezes que seria necessário recuperar o controle do Orçamento pelo Executivo, que ele acreditava ter sido sequestrado em boa parte pelo Congresso — mesma promessa repetida agora. Não só não conseguiu acabar com a prática, como viu os valores aumentarem ano a ano durante a sua gestão.

Não foi o único erro do petista na avaliação de como seria sua relação com o Parlamento. Ele também havia prometido que iria construir uma boa relação com deputados e senadores na base da conversa. “Eu tive relações extraordinárias com o Congresso, eu sei o que é a gente conversar com as pessoas, conversar com os contrários”, declarou. “Cabe ao presidente da República tomar decisões e conversar com as pessoas mesmo que haja divergência, mesmo que pensem diferente ideologicamente. Você vai colocar os problemas do povo na mesa e vai saber se o cidadão vai trabalhar contra ou a favor”, declarou durante a campanha.

Lula também errou na sua avaliação ao acreditar que poderia ter uma boa base de deputados na Câmara e defendeu junto aos eleitores que votassem, não só nele, mas em seus aliados para o Congresso. O PT e partidos aliados, no entanto, fizeram apenas pouco mais de 100 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, o que criou dificuldades para a tramitação de projetos do governo durante todo o terceiro mandato.

Publicidade