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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) monopolizam a disputa pelo Palácio do Planalto, com mais de 80% dos votos totais no primeiro turno a pouco mais de duas semanas da votação, no dia 4 de outubro. Com o afunilamento da corrida presidencial, uma pergunta que circula cada vez mais nos bastidores das campanhas e entre os eleitores é: a eleição pode ser encerrada já no primeiro turno?
Segundo a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 17, essa probabilidade ainda é um tanto remota. Levando-se em consideração apenas os votos válidos (descontados brancos e nulos), que é a votação considerada pela Justiça Eleitoral, Lula tem 43% contra 39% de Flávio.
Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa ter mais de 50% dos votos válidos – nesse cenário, portanto, Lula estaria a pouco mais de sete pontos de liquidar a fatura em 4 de outubro. Já Flávio precisaria de onze pontos a mais na reta final.
Nesse cálculo, é preciso levar em conta que a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, Lula pode ter 45%, enquanto Flávio pode ter 41%, no limite da margem indicada pelo Datafolha.
Voto útil pode beneficiar mais Flávio
Para vencer no primeiro turno, é fundamental que Lula ou Flávio atraia votos dos demais candidatos, o chamado voto útil, nos dias que faltam para a votação. Segundo o Datafolha, os demais concorrentes somam 16% dos votos válidos, sendo que onze pontos estão concentrados em apenas dois candidatos: Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).
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Veja a disputa em votos válidos no primeiro turno:
– Lula (PT): 43%
– Flávio Bolsonaro (PL): 39%
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– Augusto Cury (Avante): 6%
– Ronaldo Caiado (PSD): 5%
– Renan Santos (Missão): 3%
– Romeu Zema (Novo): 2%
– Rui Costa Pimenta (PCO): 1%
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– Samara Martins (UP): 1%
Levando-se em consideração o perfil ideológico dos demais competidores, pode ser mais fácil para Flávio atrair o voto útil na reta final, já que Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema (que somam 10% dos votos) são alinhados à direita.
Augusto Cury, que tem seis pontos percentuais, também atrai mais eleitores à direita, mas tem um perfil mais difuso e pode ter a sua votação diluída entre os dois principais competidores.
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Já à esquerda há apenas dois candidatos que pontuam, Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP), que têm 1% cada um, mas ambos estão muito à esquerda de Lula e com frequência são críticos ao governo do petista.
Ciro Gomes desidratou em 2022
Na última eleição presidencial, há quatro anos, também houve uma campanha pelo voto útil por parte de Lula para tentar liquidar a eleição no primeiro turno contra Jair Bolsonaro. Não deu certo, mas o petista esteve muito perto, já que alcançou 48,4% dos votos válidos nas urnas contra 43,2% de Jair Bolsonaro – ou seja, Lula ficou a apenas 1,7 ponto percentual de encerrar a disputa presidencial na primeira votação.
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A campanha petista à época mirou especialmente as candidaturas de Simone Tebet (então no MDB) e Ciro Gomes (então no PDT) e, ao final, parece ter tido algum efeito prático especialmente em relação ao pedetista, que tinha entre 7 e 9 pontos percentuais, mas terminou a eleição com 3% dos votos válidos, um indicativo de que a sua candidatura pode ter sido desidratada pelo voto útil na reta final.
Indecisos também são uma aposta em 2026
Além de tirar votos dos concorrentes, Lula e Flávio têm outra possibilidade agora em 2026, que é atrair eleitores que hoje estão inclinados a votar em branco ou nulo (6%) ou que estão indecisos (3%) – esse contingente não está incluído entre os votos válidos, mas pode engrossar a conta se optarem por algum candidato até a votação.
Segundo o Datafolha, a aposta nos indecisos é importante porque esse percentual é particularmente alto na pesquisa espontânea (21%), que é quando o entrevistado cita em quem pretende votar sem ter sido apresentado a nenhuma lista de candidatos.
Veja a pesquisa espontânea:
Lula (PT): 35%
Flávio Bolsonaro (PL): 26%
Indecisos: 21%
Branco/nulo/nenhum: 6%
Augusto Cury (Avante): 3%
Jair Bolsonaro (PL): 3%
Ronaldo Caiado (PSD): 2%
Outras respostas: 2%
Renan Santos (Missão): 1%
Romeu Zema (Novo): 1%</br<>
Campanhas apostam em vitória no primeiro turno
Na reta final, até para efeito de motivação do eleitorado, os dois candidatos têm afirmado que podem – ou que vão – vencer a eleição sem a necessidade de uma segunda votação. “Se Deus quiser, vai ser no primeiro turno”, afirmou Flávio Bolsonaro em comício em Vitória da Conquista (BA), na última quinta-feira.
O candidato do PL também colocou no seu WhatsApp a mensagem “vamos resolver no 1º turno” e veiculou no Instagram frases como “não deixe para o 2º turno o que você pode fazer no 1º”, segundo o jornal Folha de S. Paulo.
Também na quinta-feira, em entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente Lula disse que irá vencer no primeiro turno, embora tenha admitido que a vitória também possa vir mais tarde. Ele lembrou que o PT nunca conseguiu liquidar uma eleição presidencial no primeiro turno em nenhuma das cinco vezes que chegou à Presidência. Aliás, desde a redemocratização do país, apenas FHC conseguiu o feito, e por duas vezes, em 1994 e 1998.
“Agora, também eu nunca ganhei eleição no primeiro turno. Eu disputei, sabe? Eu fui para o segundo turno em 1989 (contra Fernando Collor), depois não teve segundo turno em 1998 (também não teve em 1994, ambas contra FHC). Depois, em 2002, eu ganhei no segundo turno (de José Serra), em 2006 eu ganhei no segundo turno (de Geraldo Alckmin), em 2010 a Dilma ganhou no segundo turno (de José Serra), em 2014 a Dilma ganhou no segundo turno (de Aécio Neves), em 2018 nós perdemos (Fernando Haddad foi derrotado por Jair Bolsonaro), em 2022 eu ganhei no segundo turno (de Jair Bolsonaro). Portanto, primeiro ou segundo, eu vou ganhar”, disse o presidente.
No final de agosto, também em entrevista, Lula foi mais direto sobre a estratégia de vencer sem a necessidade de uma segunda votação. “Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno”, disse, ressaltando uma preocupação que é bastante verdadeira: os cenários ficam muito difíceis para o petista em um eventual segundo turno, onde ele tem dificuldades contra todos os principais adversários.
O “fazer o diabo” de Lula, ao que parece, já está em andamento. Nesta semana, ele anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, prometeu disponibilizar canetas emagrecedoras de graça no SUS, disse que irá aumentar o teto para enquadramento em MEI (microempreendedor individual) e prometeu acabar com as bets.
Metodologia
A pesquisa Datafolha foi contratada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo e realizada presencialmente com 2.001 eleitores entre os dias 15 e 17 de setembro. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-04029/2026.
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