Mais de 200 mil deslocados. Célula de crise afina combate a incêndios históricos em França

O quadro dos incêndios em França continuava, na manhã desta segunda-feira, a preocupar as autoridades, embora a situação em Gironda, no sudoeste do país, tivesse permanecido “geralmente estável durante a noite”.

Em Gironda, 220 mil pessoas foram deslocadas, 240 casas ficaram calcinadas e arderam mais de 42 mil hectares de mato e floresta. O fogo obrigou ainda ao corte de múltiplas estradas nacionais e da Autoestrada 63, que liga Espanha a este departamento do sudoeste de França. E as ligações ferroviárias estão interrompidas no sul de Bordéus.

Diante deste contexto, o presidente francês, Emmanuel Macron, convocou uma “célula interministerial de crise” para analisar o combate às chamas e a resposta aos danos que se acumularam nos últimos dias.


Sarah Meyssonnier - Reuters

“A situação manteve-se geralmente estável durante a noite, sem alterações significativas a reportar. As equipas de emergência e de segurança continuam totalmente mobilizadas e prosseguem as operações no terreno”, adiantava a Câmara de Gironda pelas 6h00 locais (5h00 em Lisboa).Espera-se que as temperaturas voltem a subir esta semana, o que poderá agravar o desafio dos bombeiros em França. A partir de terça-feira, os termómetros podem mesmo ascender aos 40 graus Celsius.

“Tivemos uma trégua, mas há o receio de que o incêndio possa voltar a agravar-se”, afirmou, por sua vez, o presidente da Câmara de Lège-Cap Ferret, Philippe de Gonneville, em declarações à estação televisiva BFM, para advertir que “as próximas horas vão ser decisivas”.

Este ano, ao todo, já arderam em França 115 mil hectares. Trata-se de uma marca histórica, como fez notar, na última noite, o ministro francês do Interior. Laurent Nuñez sublinhou que o país se tem debatido com 30 a 40 incêndios diários.

Jornal da Tarde | 27 de julho de 2026

Para além de Gironda – incêndio considerado mais preocupante -, continuam ativos incêndios em Var, Landes e Córsega.

Com origem aparentemente acidental, o incêndio de Gironda deflagrou na quarta-feira em Saumos, no oeste do departamento. Começou por ameaçar a península de Cap-Ferret, na costa do Atlântico, e a zona em torno da Bacia de Arcachon. Moveu-se, em seguida, para as proximidades da região metropolitana de Bordéus.
“Operacionalmente impossível”
Em Le Porge, entre a estância balnear de Cap Ferret e Bordéus, a France-Presse constatou um cenário de casas destruídas e carros carbonizados.Durante o fim de semana, o fogo esteve a 15 quilómetros de Bordéus. Ainda assim, as autoridades vieram reiterar que esta cidade não está ameaçada pelas chamas.

O complexo de indústrias de defesa e instalações científicas próximo do Aeroporto de Bordéus-Mérignac está sob alerta máximo.

No Departamento de Landes, onde as chamas estão “mais contidas, mas ainda não totalmente sob controlo”, foram deslocadas 30 mil pessoas. Os bombeiros enfrentam, aqui, uma situação que ameaça tornar-se “operacionalmente impossível”, reconheceu o tenente-coronel Éric Brocardi, citado pela agência noticiosa francesa.

c/ agências