"Malvinas são argentinas". O que diz a lei do caso que abala o Mundial

Está instalada uma nova polémica no Campeonato do Mundo, desta feita, envolvendo a Argentina, por conta de um episódio registado na quarta-feira, no relvado do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, no estado norte-americano da Georgia, logo após a vitória alcançada nas meias finais, sobre Inglaterra, por 1-2.

Os sul-americanos estiveram a perder, devido a um golo marcado por Anthony Gordon, aos 55 minutos, mas deram a volta já nos instantes finais, à 'boleia' dos remates certeiros de Enzo Fernández (antigo jogador do Benfica) e Lautaro Martínez, ambos a passe do inevitável Lionel Messi, e acabaram por deixar-se levar pela euforia do momento.

Giovani Lo Celso foi à bancada buscar uma tarja que continha a mensagem "As Malvinas são argentinas", que exibiu de volta com a ajuda de companheiros de equipa como Lisandro Martínez ou Cristián Romero, em referência ao conflito armado que opôs ambas as nações, entre abril e junho de 1982.

Este comportamento pode ser entendido como uma violação da Lei 4 do IFAB (o International Football Association Board, organismo que rege as regras da modalidade), que proíbe a ostentação de qualquer tipo de "slogans, declarações ou imagens políticas", algo que custaria caro aos campeões planetários em título.

"Ao comemorar-se um importante evento nacional ou internacional, as sensibilidades da equipa adversária (incluindo os seus adeptos) e o público em geral devem ser cuidadosamente consideradas", pode ler-se, ainda que o documento sublinhe que pode ser mais difícil catalogar uma mensagem como "política" do que como "religiosa" ou "pessoal".

O precedente espanhol

O caso irá passar, agora, para as mãos da FIFA, que terá decidir, em primeiro lugar, se se justifica a abertura formal de um processo disciplinar, que seria em tudo semelhante àquele que a UEFA levou a cabo em 2024, após a a final do último Campeonato da Europa, disputada no Estádio Olímpico de Berlim, na Alemanha.

Na altura, Espanha levou a melhor sobre Inglaterra, por 2-1 (Nico Williams e Mikel Oyarzabal foram os autores dos golos, que mereceram 'resposta' por parte de Cole Palmer), e, durante as celebrações, Álvaro Morata e Rodri Hernández gritaram "Gibraltar é espanhol", também em referência a outro conflito internacional.

O caso culminou com a aplicação de um jogo de suspensão a ambos os jogadores, castigo que os afastou do encontro da jornada inaugural da fase de grupos da Liga das Nações, diante da Sérvia, no qual a formação comandada por Luis de La Fuente se revelou incapaz de ir além de um empate a 'zeros'.

"As Malvinas serão sempre argentinas"

O caso promete dar que falar, mas nem por isso Leandro Paredes se coibiu de o comentar, na zona mista. "Viu-se uma tarja, que os jogadores exibiram, que dizia 'As Malvinas são argentinas'", referiu uma jornalista, ao que o médio respondeu, sem hesitar: "E serão, serão sempre argentinas".

Uma postura que não caiu nada bem, em Inglaterra, como ficou à vista pela publicação levada a cabo pelo popular repórter Piers Morgan, na rede social X (o antigo Twitter): "Cretinos sem classe. Espero que Espanha os derrote de maneira tão clara, na final, como nos os derrotámos, na Guerra das Malvinas".

Classless pr*cks.
I hope Spain beat them as badly in the Final as we beat them in the Falklands War. pic.twitter.com/mC1YWVWfIb

— Piers Morgan (@piersmorgan) July 16, 2026

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