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Donald Trump confirmou, na terça-feira, 11, ter trocado de avião secretamente devido a uma “ameaça” do Irã no início de julho, depois que o jornal americano The Washington Post revelou que o presidente dos Estados Unidos foi retirado às escondidas do Air Force One em um caminhão do serviço de bordo para deixar a Turquia após uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Enquanto o presidente americano era retirado discretamente pela porta lateral do avião, porém, mais de 100 assessores, autoridades da Casa Branca e jornalistas continuaram a bordo e seguiram viagem para o Reino Unido, sem serem informados de que corriam risco de vida. Veículos de comunicação que tinham funcionários a bordo criticaram o fato de eles terem servido de “isca”, enquanto outros se queixaram de mentira e falta de comunicação por parte do governo americano.
O jornal americano The New York Times revelou que, entre as autoridades que ficaram para trás enquanto Trump deixou a aeronave presidencial e entrou em um caminhão do serviço de bordo, para embarcar em um modelo menor da Força Aérea americana ao lado, estava o seu secretário de Estado, Marco Rubio, o chefe da diplomacia americana que tem feito sucessivas estocadas contra o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Também foram “abandonados” o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o assessor Stephen Miller, principal conselheiro do presidente em assuntos domésticos (e o arquiteto da política anti-imigração de Trump), e Steven Cheung, diretor de comunicações da Casa Branca.
De acordo com o NYT, Rubio estava ciente da ameaça, mas não está claro se as outras autoridades também sabiam. Pelo menos alguns dos membros da equipe da Casa Branca que viajavam no Air Force One foram deixados no escuro, revelou o jornal, assim como todos os repórteres.
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Passageiros ‘isca’
O senador americano Richard Blumenthal, democrata de Connecticut, classificou a operação como “sem precedentes e surreal” e “realmente assustadora” em entrevista à emissora americana CNN. “É preciso haver um informe ao Congresso, pois a questão não envolve apenas a segurança do presidente. Quero saber quais precauções foram tomadas para garantir a segurança de todos os passageiros daquele Air Force One — aeronave considerada perigosa demais para o transporte do presidente —, protegendo assim a equipe e os jornalistas a bordo”, declarou.
“Ao que parece, a ideia era reduzir o perigo para o presidente Trump oferecendo cerca de 100 pessoas para serem mortas pelos iranianos em seu lugar”, disse ao jornal britânico The Guardian Steven Cash, ex-agente da CIA.
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Jornalistas também manifestaram preocupação. Jake Tapper, apresentador da CNN, escreveu no X (ex-Twitter): “Obviamente, a vida do presidente é primordial, e administrações anteriores da Casa Branca já recorreram a estratagemas para protegê-la. No entanto, nenhuma das autoridades com quem conversei jamais ouviu falar do uso de um Air Force One lotado de funcionários da Casa Branca e jornalistas como isca diante de uma ameaça iminente. ”
Além disso, José Zamora, diretor regional para as Américas do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), afirmou que o governo tinha a responsabilidade de garantir que os repórteres não fossem expostos a perigos desnecessários. “Os repórteres devem ser informados sobre ameaças reais à segurança para que possam tomar decisões conscientes sobre sua própria integridade”, disse ele. “A transparência deve ser a regra para qualquer governo, especialmente quando a segurança está em jogo. “
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‘Ameaça verossímil’
Havia uma ameaça iraniana verossímil contra o presidente, disse ao Washington Post um funcionário americano. Os repórteres a bordo mencionaram uma ordem do Serviço Secreto para abaixarem as persianas das janelas durante a decolagem, uma instrução incomum fora de zonas de combate.
A viagem de Trump à reunião de cúpula da Otan na Turquia já havia chamado a atenção por ele ter chegado ao país em um Boeing 747 presenteado pelo governo do Catar. O modelo não estaria equipado com sistemas de segurança antimísseis, segundo apuração do New York Times, e recorreu-se ao antigo Air Force One.
O presidente alegou que o jato catari conhecido como “palácio do céu” sairia na frente para que as tropas americanas no Reino Unido o conhecessem. Durante a conexão nesse país, Trump voltou a embarcar no avião presenteado pelo Catar, no qual voou até Washington.
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Questionado sobre o motivo de os jornalistas terem sido orientados a abaixar as persianas, Trump respondeu: “Porque vocês provavelmente estão em um voo perigoso, por causa dos canalhas com que temos que lidar. Se eu for, vocês também vão, certo? Talvez algum dia queiram mudar de profissão. ”
“Muitos inimigos dos Estados Unidos o têm na mira, e usamos todas as ferramentas à nossa disposição para enfrentar essas ameaças”, disse Cheung, o diretor de comunicação da Casa Branca.
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No ano 2000, Bill Clinton mudou de avião presidencial no último momento, quando viajava da Índia ao Paquistão, usando uma aeronave-isca que transportava agentes do Serviço Secreto. Em 2023, a visita de Joe Biden à Ucrânia foi cercada de absoluto sigilo, durante uma viagem de avião e trem. O ex-presidente foi acompanhado de um repórter e um fotógrafo.
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