Foi a doença que atrasou o início da sua vida na clausura. Na autobiografia, a beata diz que já na data da sua primeira comunhão, a 25 de abril de 1875, “suspirava pela vida religiosa”. “Nosso Senhor, porém, não me concedeu nesse dia a graça que tanto desejava. Esperava, então, pelo dia do crisma. E no dia 8 de julho do mesmo ano 1875, imediatamente depois de ser crismada, senti nascer em mim a graça da vocação, e nunca mais a perdi. Ela ia crescendo pouco a pouco comigo.” A freira assume que seguiu “guardando o meu segredo de me fazer religiosa” ao longo da infância. “Foi na idade de 12 a 16 anos que mais ofendi a Nosso Senhor, mas Ele não me abandonou”, assume. “Eu, naquele tempo, parecia mais rapaz que menina, e julgava que não havia ninguém no mundo tão feliz como eu. Desejava sempre ter sido rapaz para me poder fazer Jesuíta e ir para as Missões de África.”
Em 1879 Maria Droste entrou para o Colégio das Religiosas do Coração de Jesus, em Riedenburg. “Antes de ir para lá, Nosso Senhor quis mostrar-me mais claramente a minha vocação. Foi no dia 21 de novembro de 1878 quando assistia a um sermão feito pela Cura da freguesia, na Igreja paroquial de Darfeld”, relata. “Ninguém, porém, desconfiou de mim, porque fiquei como dantes: amiga de brincar, saltar, cantar, dar passeios com os meus pais e irmãos, a burro ou a cavalo, etc”, escreve a beata. Esteve dois anos e meio no Colégio, onde terá vivido novos momentos de “chamamento”. “Em 1880 (foi outra vez no dia 21 de novembro) assisti a uma tomada de hábito. Um Padre da Companhia de Jesus, apóstolo do Coração de Jesus, pregou”, descreve. “No fim da cerimónia o Padre mandou-me chamar (ele era conhecido de meus pais, mas eu nunca o tinha visto). Depois de algumas relutâncias, principiei a confiar-lhe o que se passava na minha alma. Foi a primeira vez que rompi o segredo, e com muito custo. O Padre conheceu logo a minha vocação. Animou-se muito. E quando ele voltou ao Colégio, no dia 25 de março de 1881, a coisa já estava tão adiantada que ele me aconselhou a falar com a Superiora e com a minha mãe, nas férias da Páscoa.” Maria Droste descreve que foi a 5 de agosto daquele ano que se declarou aos pais sobre a sua “resolução definitiva” de se fazer religiosa. “Eles ficaram no auge de júbilo, porque só tinham o desejo de consagrar uma filha a Nosso Senhor. Mas como eu, desde o último ano que estive no Colégio, andava bastante adoentada, e como se receava uma lesão nos pulmões, meu Pai disse-me que eu devia esperar até aos 21 anos.”
Em junho de 1884, durante o período da Festa do Sagrado Coração de Jesus, Maria rezava na capela diante da imagem do coração exposto, após comungar, quando terá ouvido uma voz no seu interior. “Tu serás a esposa do Meu Coração”. “Que instante mais feliz! Esposa do Seu Coração! Mas como? Quando?”, escreve a beata. A data marca o início do seu “voto de castidade perpétua”. Foi a primeira de muitas experiências místicas que a freira relatou nas suas cartas ao confessor.
Entretanto, até 1886 viveu em casa da família: “só meus pais, irmãos e alguns parentes sabiam o meu desejo”. “Tínhamos em casa uma vida muito regular: a Missa todos os dias, eu comungava três vezes por semana, tínhamos a nossa meditação, leitura com os meus pais, terço em comum e, durante o dia, trabalhávamos na direção da casa. Minha mãe exigia que aprendêssemos tudo o que fosse necessário para governar uma casa. Éramos muito unidos uns com os outros, e meus pais nunca nos perturbavam nos exercícios de piedade nem nas obras de caridade. A Capela era sempre a nossa maior alegria. Naquela época eu dirigia o canto, e era a maior consolação de meu Pai ouvir-nos cantar na capela. Foram anos realmente felizes e muito favorecidos pelo Santíssimo Coração de Jesus.” Diante da doença, Maria Droste acabou mesmo por iniciar a vida religiosa ainda na casa dos pais. “Vesti-me de preto, arranjei o meu quarto da maneira mais simples possível, fiquei dispensada de parecer diante das pessoas de fora, assim como dos trabalhos da direção da casa. Ocupei-me daqui por diante a rezar e a ler, a trabalhar para os pobres e para as Igrejas, a tratar e a visitar os doentes. Todos em casa respeitavam o meu quarto como se fosse a cela de uma freira; e foi ali que gozei da companhia do meu Divino Esposo, durante dois anos”, relata.