Maricarmen, a idosa de 87 anos que foi despejada da casa onde vivia há mais de 70 anos, em Madrid, Espanha, agradeceu o apoio dos cidadãos e de quem esteve ao seu lado na quarta-feira, dia em que agentes da Polícia Nacional a retiraram da habitação.
"Quero agradecer a todas as pessoas que estiveram comigo e me apoiaram durante esta fase da minha vida para defender a minha casa", afirmou a idosa num vídeo do Sindicato dos Inquilinos enviado ao canal de televisão espanhol laSexta.
Segundo o sindicato, Maricarmen está "cansada e exausta", mas "ansiosa" para lutar pelo direito a viver na casa, situada no bairro de El Retiro, no centro da capital espanhola.
Por enquanto, a idosa ficará sob observação no Hospital Universitário Gregorio Marañón durante alguns dias e, após ter alta hospitalar, passará alguns dias em casa de um primo.
Renda passou de 500 para 1.650€
Maricarmen foi despejada da casa onde vivia há 70 anos, após uma empresa de investimento ter adquirido o imóvel e aumentado a renda de 500 para 1.650 euros. O caso gerou protestos e houve até quem se oferecesse para pagar a sua renda durante o tempo que fosse necessário.
O pai de Maricarmen arrendou o imóvel em 1956 e, após a morte dos pais, a mulher continuou a viver no apartamento, durante o período em que o valor da renda estava limitado por lei.
Na altura, o contrato de arrendamento foi assinado ao abrigo das antigas leis de controlo de rendas. Com a aprovação da Lei do Arrendamento Urbano de 1994, o quadro legal para estes arrendamentos mudou radicalmente.
Maricarmen assumiu o contrato do imóvel há 20 anos e, desde então, cumpriu religiosamente com o pagamento da renda, que foi aumentando com base no valor da inflação.
No entanto, a situação mudou em 2018, quando o edifício foi adquirido por uma empresa de investimento. Os novos proprietários iniciaram um processo judicial, alegando uma lacuna na sub-rogação do contrato, que consideraram ser "economicamente insustentável".
O caso chegou aos tribunais e o Supremo Tribunal de Espanha decidiu a favor da empresa, que tentou aumentar a renda em 275%.
Maricarmen, uma idosa reformada com 50% de capacidade, não conseguiu pagar o valor pedido e, nos últimos meses, centenas de vizinhos, grupos sociais e plataformas de defesa do direito à habitação mobilizaram-se em apoio, organizando acampamentos e protestos para impedir o despejo ordenado pela justiça.
Escritora anónima ofereceu-se para pagar diferença na renda de Maricarmen. Empresa não aceitou
Uma escritora não identificada chegou a oferecer-se para cobrir a diferença na renda para evitar o despejo pela Urbagestión, mas o fundo de investimento proprietário do imóvel não aceitou.
Já a Secretária de Estado da Habitação de Espanha, Leire Iglesias, afirmou que a Urbagestión aceitou mediar a situação para encontrar uma solução para o problema de Maricarmen, mas acabou por não atender as suas chamadas, segundo a rádio Cadena SER.

Idosa de 87 anos despejada em Madrid. Renda aumentou para 1.650€
Uma mulher de 87 anos foi despejada da casa onde vivia há mais de sete décadas, em Madrid, Espanha, após a renda subir para 1.650 euros. O caso de Maricarmen mobilizou vizinhos e ativistas, gerando protestos e ofertas para pagar a renda e evitar o despejo.
Notícias ao Minuto | 16:51 - 23/09/2026