Numa entrevista à cadeia árabe Al Arabiya, Abdellatif Ouahbi solicitou a assinatura de um acordo que permita devolver a território marroquino tanto os sobreviventes como os mortos e pediu uma abordagem abrangente à questão migratória entre os dois países.
O ministro afirmou ainda que, até ao momento, Espanha não informou Marrocos sobre o número de migrantes mortos e insistiu que os corpos não identificados não podem ser devolvidos sem informação prévia nem um acordo entre as partes.
Abdellatif Ouahbi acrescentou que Marrocos não poderá prevenir de forma eficaz a migração para Espanha enquanto o país continuar a aceitá-la, com campanhas que incentivam os jovens a tentar a viagem.
Na sexta-feira, 18 migrantes foram sepultados no cemitério muçulmano de Ceuta, três semanas depois da crise fronteiriça que resultou em dezenas de mortos.
As sepulturas foram assinaladas com números para facilitar a localização dos restos mortais caso sejam posteriormente reclamados pelos familiares.
Os 18 corpos sepultados estão entre as 82 vítimas mortais identificadas por Espanha após a chegada em massa de migrantes no final de julho em Ceuta, sendo que as autoridades espanholas continuam a trabalhar na identificação das vítimas.
Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola, situada no norte de África, num período de 24 horas, 70.000 das quais já regressaram a Marrocos, segundo dados das autoridades espanholas.
No início de agosto, estimava-se que entre três mil e cinco mil migrantes, incluindo menores e jovens, permaneciam no enclave espanhol de Ceuta.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
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