Marrocos diz que nenhum facto mostra envolvimento de Rabat na entrada de milhares em Ceuta

Marrocos defendeu esta quinta-feira que não há qualquer facto que demonstre o envolvimento das autoridades do país na entrada de mais de 70.000 pessoas em Ceuta e que recusa servir de “bode expiatório” para “ajustes de contas” em Espanha.

“Nenhum dado, facto ou relatório comprova qualquer envolvimento das autoridades marroquinas”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, num comunicado citado pela agência de notícias francesa AFP sobre o ocorrido no final de julho em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África que tem fronteira com Marrocos.

“O Reino de Marrocos recusa-se a ser um tema de campanha pré-eleitoral e também não aceita ser o bode expiatório de ajustes de contas políticas”, acrescentou o Governo marroquino, no mesmo comunicado.

Espanha tem eleições legislativas nacionais previstas para o primeiro semestre de 2027.

O Governo de Espanha tem dito não ter provas do envolvimento de Marrocos na entrada em massa em Ceuta em 30 e 31 de julho, numa posição criticada pela oposição e partidos aliados do executivo, liderado pelo socialista Pedro Sánchez.

Por outro lado, relatórios das forças de segurança e de serviços de informações espanhóis conhecidos nos últimos dias assinalam a “permissividade” e atuação “negligente” da polícia de Marrocos em relação às dezenas de milhares de pessoas que se dirigiram à fronteira com Ceuta em 30 de julho.

Segundo documentos desclassificados pelo Governo de Espanha e divulgados na quarta-feira, em 29 de julho, os serviços de informações de Espanha alertaram Marrocos e o Governo espanhol para “várias convocatórias para levar a cabo entradas em Ceuta” no dia seguinte em grupos nas redes sociais com 180.000 pessoas.

Os avisos foram feitos pelo Centro Nacional de Inteligência (CNI) de Espanha aos serviços de informações de Marrocos e à Delegação do Governo espanhol em Ceuta.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou a publicação destes documentos num debate parlamentar na semana passada em que negou haver provas sobre o envolvimento de Marrocos na entrada de dezenas de milhares de pessoas ilegalmente em Ceuta e que o Governo tenha sido alertado com antecedência para uma entrada em massa no enclave com a dimensão que teve.