Sem comida e sem abrigo, devido à superlotação do centro de acolhimento, os imigrantes que permanecem em Ceuta, cidade autônoma da Espanha no norte da África, estão vivendo uma dura realidade.
Mohamed, um dos mais de 70 mil imigrantes que atravessaram para Ceuta do Marrocos, chorou ao ser questionado pelo repórter se havia comido algo.
"Não. Hoje eu não comi nada, juro. Não tenho nenhum primo por perto para...", emocionou-se, sendo consolado pelos colegas, sem conseguir completar a frase.
Grande parte das pessoas que entraram em Ceuta, cidade autônoma da Espanha no norte da África, na última quinta-feira (30), já retornaram ao Marrocos, mas de 3 a 5 mil permanecem no local, segundo o último balanço dado pelas autoridades espanholas, há dois dias.
Na segunda-feira (3), a agência de notícias Reuters registrou dezenas de homens dormindo ao relento, na praia de El Trampolin.
Muitos estavam enrolados em toalhas para se protegerem do vento, enquanto veículos do Exército e da polícia patrulhavam a estrada atrás deles.

Imigrantes do Marrocos que seguem em Ceuta dormem em praia ao relento
Um dia antes, alguns imigrantes entraram em confronto com policiais, porque não ficaram satisfeitos ao saber que teriam que permanecer em um local determinado e sob controle dos agentes.
A Espanha estima que cerca de 69.500 migrantes retornaram a Marrocos nos últimos quatro dias, superando as estimativas iniciais.
Um agente da polícia usa um cassetete para atingir um migrante durante confrontos entre migrantes e policiais — Foto: REUTERS/Pedro Nunes
O líder de Ceuta, Juan Jesus Vivas, disse à emissora Telecinco que dois centros de acolhimento de migrantes — um para adultos e outro para menores — haviam "entrado em colapso".

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Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Junto com Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África.
A cidade fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Apesar de pertencer à Espanha há séculos, o Marrocos reivindica a soberania sobre o território, o que gera atritos diplomáticos recorrentes.
Por fazer parte da Espanha, Ceuta também integra a União Europeia. Para muitos migrantes, entrar na cidade representa a primeira porta de acesso ao bloco europeu.
Mapa mostra localizações de Ceuta e Melilla, exclaves espanhóis na África, em meio a crise migratória em julho de 2026. — Foto: Dhara Pereira e Lara Bernardino/Arte g1