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Talvez seja cedo para falar em reação, já que Gabriel Medina venceu apenas uma bateria em Fiji.
Mas, depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, ver Medina voltar a falar em aproveitar, surfar e simplesmente curtir o momento é, sim, uma boa notícia.
Foi muito divertido voltar a Fiji. Tem sido muito bom surfar bastante e não me preocupar com mais nada Gabriel Medina
A fala chama atenção principalmente pelo que veio antes.
Medina passou por semanas de uma montanha-russa de emoções. Casou-se com Isabella Arantes, anunciou que seria pai pela primeira vez e, poucos dias depois, recebeu a notícia de que havia perdido o bebê que o casal esperava.
É impossível imaginar que tudo isso não tenha mexido com ele. E o próprio Medina reconheceu isso.
Foi um ano desafiador para mim, com muitas coisas acontecendo na minha vida. Mas isso é a vida. Todo mundo tem suas coisas acontecendo e você precisa lidar com elas
Agora, porém, ele diz estar em um lugar melhor.
Eu só queria superar muitas das coisas com as quais estava lidando e agora estou me sentindo bem e estou em um bom momento. Agora só quero surfar, e este lugar é perfeito para mim
Continua após a publicidadeÉ uma declaração simples. Mas, conhecendo Medina, talvez seja exatamente disso que ele precise.
Surfe continua ali
Porque uma coisa nunca me preocupou: a capacidade de Gabriel Medina surfar.
Ela continua ali.
Medina voltou ao Circuito Mundial nesta temporada depois de passar 2025 inteiro fora por causa de uma lesão no ombro. E, mesmo sem ter encontrado ainda a regularidade que certamente gostaria, já mostrou várias vezes que continua sendo um dos melhores surfistas do mundo.
O problema é que, se o sonho é conquistar o quarto título mundial, surfar bem não será suficiente.
Continua após a publicidadeMedina ocupa atualmente a quinta colocação do ranking, atrás de Italo Ferreira, Leonardo Fioravanti, Yago Dora e Miguel Pupo. E a distância para o líder é grande: Italo já abriu quase 12 mil pontos.
É verdade que ainda restam cinco etapas depois de Fiji. Muita coisa pode acontecer.
Mas Medina não pode deixar essa diferença continuar aumentando.
Sua melhor campanha até aqui foi o segundo lugar em Margaret River, segunda etapa do ano. Recentemente, vieram duas eliminações precoces, no Rio de Janeiro e em Teahupo'o - esta última especialmente dolorosa, diante de Kelly Slater.
E existe outro dado que começa a incomodar: Medina não vence uma etapa do Circuito Mundial desde 2023, quando ganhou justamente no oeste australiano.
Para alguém que pretende disputar o título, está na hora de mudar isso.
Continua após a publicidadeE talvez Fiji seja o lugar perfeito para começar essa arrancada. Foi ali que Medina já venceu duas vezes, em 2014 e 2016, e conhece como poucos as ondas de Cloudbreak. Se existe um palco capaz de ajudar o brasileiro a reencontrar o caminho das vitórias, é lá.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
