Mirelle Pinheiro
A Operação Bomba Oculta desta sexta-feira (28/8) é um desdobramento da Operação Carbono Oculto que mira fraude no setor de combustíveis
28/08/2026 09:19
, atualizado 28/08/2026 09:43

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deflagrou nesta sexta-feira (28/8), a Operação Bomba Oculta, com o objetivo de bloquear e interditar postos de combustíveis clandestinos que funcionavam sem autorização. Durante a ação, seis unidades na cidade de São Paulo foram lacradas pelas equipes.
A operação foi realizada em conjunto com a Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz/SP), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP) e Polícia Civil.
Além disso, 1,2 mil CNPJs e 228 inscrições estaduais serão tornados inaptos, medida que busca bloquear contas bancárias e impedir a emissão eletrônica de documentos fiscais.
A ofensiva é resultado de uma ação conjunta para desmantelar um esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
A investigação é apontada como um desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada há um ano e que identificou a atuação do crime organizado na cadeia nacional de combustíveis.
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Segundo as instituições, desde 2019, a ANP revogou a autorização de funcionamento de mais de 10 mil postos de combustíveis. Mesmo assim, parte dessas empresas continuou atuando de forma clandestina, utilizando CNPJs ativos para adquirir e comercializar combustíveis.
Desdobramento
Como divulgado pela coluna, a investigação da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, aponta que o crime organizado se infiltrou em diferentes etapas da cadeia nacional de combustíveis, desde a importação e produção até os postos revendedores.
Segundo os investigadores, os locais se tornaram fundamentais para o crime organizado porque movimentam grandes volumes de dinheiro diariamente, possuem operações complexas e permitem misturar recursos lícitos e ilícitos com relativa facilidade.
Além disso, o mercado de combustíveis também é historicamente vulnerável a fraudes tributárias, adulteração de produtos e uso de empresas de fachada.
Em manifestação à coluna, a PGFN e a União afirmam que o prejuízo para o erário é inestimável, na medida em que esses postos funcionavam à margem da tributação, e ainda serviam de fonte de financiamento e instrumento de lavagem de dinheiro para o crime organizado.
“Esta ação é de suma importância, pois não só irá contribuir para a regularização fiscal de todo o setor econômico e para o aumento da arrecadação, como também abrirá novas frentes de investigação, combate à fraude fiscal e atuação estratégica destinadas à recuperação do crédito sonegado”, escreveu.