Meu pai norteou as minhas escolhas. Um homem feminista na década de 1970, quando nasci. Nunca teve um projeto para mim, apenas quis que eu fosse uma mulher realizada; ele estava ali para me ajudar. Incentivou-me nos estudos e sempre acreditou em mim. Aproveitava cada minuto para me mostrar aquilo a que achava que eu não prestava atenção: mostrava as artes, as músicas, a natureza, o canto dos pássaros, a praia. Ensinou-me que a maldade existe, mas que eu era forte e preparada para enfrentar tudo mesmo quando ele não estivesse mais aqui.
Taís Sica da Rocha (Porto Alegre, RS)
Meu pai foi exemplo de dedicação, trabalho, inteligência e a busca pela realização na vida. Sua origem espanhola não permitia momentos frequentes de carinho ou partilha, mas por seu exemplo aprendi o valor do suor para conquistar algo. Sempre incentivou a educação, algo a que não teve acesso.
Adilson Gonçalves (Campinas, SP)
Sua presença por inteiro em casa ao longo de seus 86 anos e a generosidade. Meu pai trabalhou dos 3 aos 77 anos e todo o dinheiro dava na mão da minha mãe. Nunca foi egoísta, sempre positivo, com o polegar em riste, sorrindo. Tinha muito orgulho da família e a casa estava sempre cheia de parentes e amigos. Cuidou dos netos e da minha mãe com Alzheimer, foi um exemplo e uma fortaleza. É o alicerce de muitas vidas. Muitas saudades! Ainda guardo seu último olhar.
Adriana Alexo (São Paulo, SP)
Deus quis que eu não tivesse uma presença paterna. Meu pai morreu em um acidente enquanto eu ainda estava na barriga de minha mãe. Não tive problemas sociais por isso. Minha mãe soube ser pai e mãe ao mesmo tempo. Essa situação fez com que eu buscasse ser um pai incrível para meu filho de sete anos. Ser pai é todo dia.
Waldomiro T. Padilha de Oliveira (Curitiba, PR)
Nenhuma. Desde pequena fui criada pela minha mãe e pela minha avó. Meu pai não quis participar de forma afetiva ou financeira. Hoje manda bom dia quase todos os dias e eu respondo, mas não há espaço para longas conversas. Não guardo mágoas: já atingi maturidade e não me deixo envenenar por sentimentos ruins. Na adolescência, no entanto, sofri demais com sua ausência.
Jane Macedo (São Paulo, SP)
Sua presença foi importantíssima: os ensinamentos, o carinho, as brincadeiras e as broncas. Meu pai começava o dia lendo jornais e me passou esse hábito. Lembro-me do dia em que, por causa de meu avô materno, decidi torcer para o Corinthians. Ele, palmeirense, adorou. Nos jogos, se divertia quando meu time perdia. Não era fanático, tinha até a carteirinha do Corinthians. Antes de morrer, quase me passou o título do clube.
Nidia Forestieri (São Paulo, SP)
Meu pai foi o primeiro homem que tive que enfrentar para garantir meus direitos à educação e aos meus sonhos. Mulher tinha que aprender a cozinhar, lavar, passar, arrumar um marido. O primeiro obstáculo foi para estudar. Dali segui aprendendo a lutar por meus direitos e entendi que alguns homens podem ser grandes obstáculos.
Ednéia Maria Machado (Londrina, PR)
Meu pai ensinou a mim e a meu irmão pelo exemplo: um homem humilde, devoto a Deus e à família, que soube nos transmitir, junto com minha mãe, o amor pelos estudos e a responsabilidade pelo trabalho e por aquelas que seriam nossas futuras famílias. A minha infância foi marcada por sua presença em jogos de futebol, andanças de bicicleta, idas semanais à locadora de filmes, jogos de xadrez e muito mais. Hoje ele segue exercendo sua marcante postura paterna com outros tantos irmãos de fé na igreja em que é ministro com minha mãe.
Gustavo Pizzicola (São Paulo, SP)
Tive um pai omisso com suas obrigações de pai. Quando cresci e constituí família, disse a mim mesmo que seria diferente. Tinha em mente ser presente e participativo. Tenho dois filhos: Rodrigo e Frederico, já adultos. Desde cedo disse-lhes que são a melhor coisa do mundo. Participei de cada fase de suas vidas: preparei-lhes o alimento, levei-os à escola, joguei futebol, fiz deveres da escola, dei banho. Só não dei o peito. Hoje, são meus melhores amigos, parceiros de vida. Continuo falando para eles: filho é a melhor coisa do mundo. Parabéns aos pais pelo seu dia!
Luiz Thadeu Nunes e Silva (São Luís, MA)