"Assumam a responsabilidade, bolas!", exclamou um dos manifestantes, aludindo às condições sociais criadas pela política dos partidos tradicionais na região do leste alemão, que apresenta o rendimento per capita mais baixo do país.
Milhares de pessoas manifestaram-se esta segunda-feira em Berlim contra a extrema-direita, depois de a Alternativa para a Alemanha (AfD) ter arrasado, domingo, nas eleições na região oriental da Saxónia-Anhalt, onde tem possibilidades de governar pela primeira vez num estado federado.
Junto à central Porta de Brandemburgo, cerca de 3.500 manifestantes — segundo estimativas da polícia — entoaram palavras de ordem como "todos juntos contra o fascismo" ou "alerta antifascista", numa manifestação convocada por plataformas como a Campact ou o movimento ambientalista Fridays for Future.
"As coisas sobre as quais temos vindo a alertar há meses, as coisas pelas quais se riram de nós e nos disseram que estávamos a dramatizar, aconteceram agora", afirmou um dos oradores, o ativista oriundo da Saxónia-Anhalt Max Schneller, referindo-se aos 43,8% obtidos pela AfD.
Um resultado destes "não cai do céu", afirmou o ativista, que exigiu que os partidos que têm governado a Saxónia-Anhalt durante décadas — a conservadora União Democrata-Cristã (CDU) e o Partido Social-Democrata (SPD) — não se limitem a manifestar a sua consternação, mas tirem conclusões e "escutem".
"Assumam a responsabilidade, bolas!", exclamou, aludindo às condições sociais criadas pela política dos partidos tradicionais na região do leste alemão, que apresenta o rendimento per capita mais baixo do país.
A CDU do chanceler Friedrich Merz caiu 20 pontos percentuais nas eleições regionais de domingo, para 17,2%, naquela que o chefe do governo classificou como a pior derrota "em décadas".
A AfD arrasou, com 43,8% — o seu melhor resultado até à data, embora abaixo da maioria absoluta —, enquanto o SPD ficou nos 9,3%, seguido pelos Verdes, com 8,9%, pela Esquerda, com 8,6%, e pela Aliança Sarah Wagenknecht (BSW), de esquerda, com 5,3%.
O candidato da extrema-direita, Ulrich Siegmund, declarou esta segunda-feira que não tentará governar em minoria, mas procurará atrair dissidentes dos restantes partidos, o que, tendo em conta o "cordão sanitário" que estes mantêm em relação à AfD, poderá dificultar bastante a formação de um governo.
Apenas a BSW se declarou, até ao momento, disposta a abster-se numa hipotética terceira ronda para permitir a investidura de Siegmund por maioria simples.