Milícia ameaça abater "voos hostis" sobre Iraque

"O resiliente povo iraquiano celebrará a expulsão das tropas de ocupação dos EUA e da NATO" na quarta-feira, declarou a milícia num comunicado assinado pelo responsável da segurança Abu Mujahid al-Assaf.

A mesma fonte acrescentou que este é o primeiro passo para alcançar a "soberania plena sobre a terra, as águas e o ar" do país.

O grupo Kataib Hezbollah (Brigadas do Partido de Deus) é uma milícia xiita radical que atua no Iraque, sendo considerada a fação mais poderosa e influente da chamada Resistência Islâmica no Iraque, e é financiado e subordinado à Força Quds, dos Guardiães da Revolução Islâmica do Irão.

"A Resistência Islâmica vai monitorizar o espaço aéreo iraquiano para garantir que não é violado por aeronaves [aviões ou drones] hostis. Primeiro emitiremos avisos e depois agiremos para as abater", adianta o comunicado, defendendo que o primeiro-ministro, Ali al-Zaidi, "não deve simplesmente ficar de braços cruzados a assistir às violações dos Estados Unidos".

Se o governo mantiver a cooperação com os Estados Unidos, avisou a milícia, poderá enfrentar tentativas de derrube.

"Al-Zaidi e os seus apoiantes têm de saber que um Governo que não serve os interesses do povo enfrentará esforços para o derrubar por todos os meios possíveis", alegou.

As autoridades iraquianas anunciaram, no final de agosto, que as tropas da coligação tinham iniciado a sua retirada coordenada das bases militares no país e insistiram que o processo estaria concluído até 30 de setembro, juntamente com o desarmamento de fações dentro das Forças de Mobilização Popular (FMP), algumas das quais lançaram ataques contra interesses dos EUA no contexto do conflito desencadeado pela ofensiva contra o Irão.

Entretanto, al-Asaf alertou contra a continuidade da suspensão dos voos do Iraque para o Irão devido às sanções dos EUA contra Teerão e advertiu que, "se o bloqueio aéreo contra a República Islâmica continuar após 01 de outubro", haverá "medidas claras", incluindo um possível encerramento das passagens fronteiriças.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou na semana passada que "absolutamente todas" as empresas iranianas cessariam as suas operações "em todo o mundo" a partir de 23 de setembro, no âmbito da imposição de um pacote de sanções anunciado no início deste mês com o objetivo declarado de cortar o financiamento e as redes logísticas da Guarda Revolucionária do Irão.

As autoridades dos Emirados Árabes Unidos (EAU) suspenderam os voos operados pelas companhias aéreas iranianas, e o aeroporto da cidade iraquiana de Najaf tomou a mesma medida.

Em resposta, o conselheiro do líder supremo do Irão, Mohammad Mokhber, advertiu que "nenhum país da região" deveria ter permissão para operar os seus aeroportos se o Irão não o pudesse fazer.

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