Os Estados Unidos mantêm operações militares contra o narcotráfico no norte do Equador, perto da fronteira com a Colômbia, de acordo com o governador local.
Washington e Quito fazem operações conjuntas há meses para enfrentar os grupos criminosos no país sul-americano, mergulhado em uma onda de violência.
"Estamos com o sétimo grupo do Exército dos Estados Unidos trabalhando em conjunto na luta contra o narcoterrorismo", disse nesta quarta-feira (19) o governador da província de Esmeraldas, Juan Jaramillo, que se recusou a responder quantos militares americanos estão mobilizados na região e desde quando.
As operações são realizadas sob sigilo e fazem parte do acordo Escudo das Américas, uma coalizão formada por cerca de 20 países da América Latina e do Caribe, criada e liderada pelo presidente americano, Donald Trump.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou no último dia 13 que as Forças Armadas americanas se preparavam para realizar operações no território de países aliados com o objetivo de combater organizações de narcotráfico na América Latina.
A província costeira de Esmeraldas é assolada por assassinatos, sequestros e extorsões cometidos por grupos do narcotráfico, que usam os portos do Pacífico para exportar drogas aos EUA e à Europa.
Lá Fora
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O ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, anunciou nesta quinta-feira (20) a chegada de dois navios de guerra e três helicópteros Black Hawk americanos para controlar pontos marítimos e cidades costeiras, como a violenta Manta.
"Vamos triplicar nossa capacidade de interdição na zona marítima", disse em vídeo compartilhado nas redes sociais, com música de guerra ao fundo.
O presidente de direita do país, Daniel Noboa, tenta reduzir a criminalidade com uma política de linha-dura desde que assumiu a Presidência, em 2023. Mas os índices de homicídios não dão trégua, tendo atingido o recorde de 52 por 100.000 habitantes no ano passado.
O governo equatoriano publicou nesta semana um decreto que permite que militares americanos permaneçam em território equatoriano por até 180 dias sem visto e lhes concede imunidade migratória.
Trump, aliado regional de Noboa, promove uma política antidrogas com bombardeios e ataques terrestres no continente americano.
Em 2025, o presidente americano lançou uma campanha de bombardeios contra supostas embarcações do narcotráfico no Caribe e no oceano Pacífico, que até o momento deixou pelo menos 215 mortos.
Em um referendo realizado em 2025, os equatorianos votaram contra a instalação de bases militares americanas no país.
A ONG Human Rights Watch e veículos de comunicação internacionais denunciam que os EUA estariam por trás de bombardeios contra barcos de pesca no Equador que deixaram pelo menos oito desaparecidos.
Segundo um comunicado do Departamento de Estado divulgado nesta quinta-feira, o país apreendeu dez barcos de pesca equatorianos por tráfico de drogas. O órgão também anunciou sanções contra 15 integrantes de uma rede equatoriana de narcotráfico.