'Minha casa desabou': o relato de sobreviventes da enxurrada no Nepal | G1

Sonam, que trabalha com trekking para turistas estrangeiros, diz que a inundação foi "repentina e devastadora".

A BBC ouviu relatos de sobreviventes da enchente repentina.

"Parecia um terremoto", diz o guia, que tinha saído uma hora antes para ir de carro a Katmandu, capital do país. "A minha casa desabou... Vi uma fotografia."

"Muitos sobreviventes ficaram agora sem casa e precisam de resgate e evacuação de emergência, bem como de alimentos, alojamento temporário e apoio médico."

Sonam Dorjee reza para que a irmã possa ser encontrada com vida — Foto: Sonam Dorjee via BBC

Ele reza para que a irmã, Dechen Tamang, possa ser encontrada com vida. Além de Dechen, o marido dele e vários outros familiares também estão desaparecidos. "Há uma hipótese de 10% que nos dá esperança", afirma.

No Nepal, as equipes de resgate correm contra o tempo para encontrar sobreviventes.

Até o momento, a principal hipótese é que uma avalanche de gelo tenha dado início a uma sequência de eventos.

Entre os desaparecidos estão 579 viajantes, sendo 466 estrangeiros e 61 nepaleses, segundo a atualização mais recente do Conselho de Turismo do Nepal.

Os estrangeiros são de 28 países diferentes. Há 133 desaparecidos da Índia, 54 dos Estados Unidos e 33 do Reino Unido.

No distrito nepalês de Nuwakot, Kalpana Malla relata que a enchente "levou tudo" dela. "Meus familiares foram arrastados pela enchente diante dos meus olhos", diz.

Seu pai, sua mãe, sua irmã e os filhos de sua irmã foram todos arrastados pela correnteza. "Eles não conseguiram escapar da enchente; não havia qualquer possibilidade", conta.

"Essa enchente levou tudo, mas meu filho e eu subimos no telhado de uma casa e sobrevivemos, embora eu não consiga explicar como."

Seu filho, Sugam Malla, diz que salvou a mãe puxando-a pela mão.

"Antes disso, eu tinha dado meu telefone à minha irmã para que ela ficasse em segurança e pudesse pedir ajuda, mas agora não consigo entrar em contato com ela; o celular está desligado. Estou preocupada que ela tenha sido arrastada pela enchente."

Enchente repentina matou mais de 150 pessoas no país — Foto: Reuters

Nuwakot, às margens do rio Bhotekoshi, foi uma das regiões mais atingidas. No último boletim, o distrito registrava 11 mortos, além de destruição de estradas, pontes, redes de comunicação e infraestrutura hidrelétrica — incluindo danos ao projeto hidrelétrico de Trishuli.

Goma Pandit também vive no distrito. Ela conta que não tem mais gado ou plantação após a enxurrada destruir sua casa.

"Perdi todos os meus búfalos e todo o meu gado na enchente. Minha plantação também foi levada, dez sacos de sementes de mostarda, toneladas de milho e arroz", disse ela à BBC.

Resgates continuam no Nepal

Casas ficaram parcialmente submersas em água barrenta às margens de um rio após enchentes repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, Nepal, em 26 de agosto de 2026. Uma grande enchente atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, em 26 de agosto, danificando estradas e infraestrutura de energia, enquanto as autoridades se esforçavam para avaliar a extensão da destruição. — Foto: PRABIN RANABHAT/AFP

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que o país está "em choque e profundamente abalado" pela perda de vidas e pelos danos causados pelas enxurradas.

Em uma publicação nas redes sociais, ele classificou o desastre como "repentino" e "de grandes proporções" e prestou condolências às vítimas e suas famílias.

Shah também afirmou que o governo mobilizou imediatamente todos os recursos disponíveis para as operações de resgate.

Os esforços de busca e resgate realizados pelo Exército do país continuam durante a madrugada.

A operação envolve 1.697 militares, enquanto outros 656 foram mantidos de prontidão para operações adicionais.

Seis helicópteros militares resgataram 94 pessoas ao longo do dia, enquanto cinco helicópteros civis resgataram outras 12. Equipes em terra resgataram mais 27 pessoas, diz o comunicado.

Ao lado da China e da Índia, o Nepal abriga oito das montanhas mais altas do mundo, incluindo o Monte Everest, conhecido localmente como Sagarmatha.

Como um dos países mais pobres do mundo, a economia do Nepal depende fortemente de ajuda externa e do turismo.

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