A propósito de uma audição pelo Chega sobre um incidente que aconteceu no EPL, Rita Alarcão Júdice explicou que o número de presos nas cadeias portuguesas tem vindo a aumentar de forma expressiva, com mais de 13.700 reclusos, um aumento de 4.5% só desde março.
"Este ano ainda encerraremos a primeira ala do EPL, começando pela E, exatamente das mais problemáticas" em termos de condições, acrescentou a responsável pela pasta da Justiça, que deu ainda nota de que o objetivo é encerrar definitivamente o EPL em 2028.
Em detalhe, o secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Gonçalo da Cunha Pires, referiu que a ala E deverá fechar já em outubro e que o encerramento do EPL terá impacto em cerca de 11 prisões, uma vez que o mesmo implica a transferência de presos.
"O sistema prisional está a sofrer diariamente uma pressão muito forte, no sentido de aumento das pessoas que se encontram privadas de liberdade, mas nós não podemos olhar numa perspetiva apenas de vagas, temos que olhar numa perspetiva humanista, e temos que dar às pessoas que estão privadas de liberdade condições para cumprirem a sua pena", explicou Gonçalo da Cunha Pires.
Na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, Rita Alarcão Júdice disse que "as obras em curso permitirão criar vagas", nomeadamente nas cadeias de Sintra, Linhó e Alcoentre, cujas intervenções já foram concluídas.
Ainda sobre as condições das prisões, a ministra da Justiça revelou que há registo de 55 mortes entre 01 de janeiro e 07 de setembro - um homicídio, 12 suicídios e 42 mortes por doença.
"Nós temos uma população prisional muito envelhecida, doente em alguns casos", apontou a ministra da Justiça, acrescentando que "é uma situação que preocupa".
Os cuidados de saúde mental nas prisões foi outro dos temas abordados durante a audição na Assembleia da República, com a ministra da Justiça a reconhecer a existência de dificuldades no recrutamento de psiquiatras e a apontar para a conclusão da nova ala do Hospital Prisional de São João de Deus, com 21 novos lugares, e para a conclusão de uma segunda ala.
"Sabemos que para combater esta situação da lotação não basta criar mais lugares, temos que atacar na fonte", acrescentou Rita Alarcão Júdice, em referência aos estudos para, por exemplo, rever os regimes de liberdade condicional.
As carrinhas utilizadas pelos serviços prisionais, nomeadamente para transporte de presos, tem sido um tema de debate, uma vez que existem diversas queixas sobre as más condições em que se encontram e, neste tema, a ministra da Justiça garantiu que o processo de aquisição está em andamento, faltando apenas o visto do Tribunal de Contas.
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